Lembra desse post «Polémica quando o assunto é Paulo Coelho»? Como disse, não sou de ir pela ideia dos outros. Tinha dito também que, apesar de ter lido alguns livros dele, não tinha lido os últimos, e estava mesmo com isso na cabeça, queria ler pelo menos o último livro do Paulo Coelho, o título pelo menos me interessou imenso, “O Vencedor está Só”.
Ganhei de presente. Sabe de quem? Desse meu amigo aqui, o que me fez ver o quanto sou imbecil de ficar reduzindo a minha “obra de arte”, risos. Ele tinha me dado a entender que ia me dar o livro de presente, mas eu não sabia que era já. Sei que esta semana vai ser difícil para mim, mas possivelmente na semana que vem começarei a leitura.
E foi nesse dia que ele estava aqui que me trouxe o livro, a gente conversando e a comer batata frita. Eu morrendo de vergonha, porque não tinha conseguido tempo de ir ao talho, o que havia no congelador já tinha tudo passado da validade, e ainda somava o facto de eu ter praticamente acabado de chegar do Algarve, quase tudo o que tinha no frigorífico teve que ir para o lixo (por isso eu já faço compras aos bocadinhos, vou ao mercado quase que diariamente, porque acho um absurdo deixar que a comida se estrague, com tanta gente a passar fome no mundo). É que eu só compro carne é para os outros, porque para mim não faço questão, e, como não tenho mais jantado com o Gatito todos os dias como era o hábito - por causa de compromissos profissionais dele -, nem me preocupei em comprar mais qualquer coisa. Não é que eu seja vegetariana, é que não gosto mesmo. Quer dizer, não é nem questão de desgostar, mas entre uma carne e um tomate, eu prefiro um tomate. Tipo, de vez em quando ainda vai, mas não me vejo por exemplo a comer carne todo dia, não curto. Engraçado que conheço muitas pessoas que se definem como carnívoras, dizem não conseguir ficar um dia só sem carne no prato. Eu nem tchum pra isso, aliás, no máximo dos máximos tenho vontade de comer carne uma vez por semana, ou por mês, sei lá, para mim não faz mesmo diferença. Aí a gente estava aqui, ele queria que saíssemos para almoçar, mas eu, caseira como eu só, fui logo para a cozinha. (Risos, ele prestativo foi junto, ficou virando as batatas, eu gosto disso, gente que não fica com frescura, se comportando como visita…) Tinha uma pessoa para atender mais tarde também, mas era mais isso mesmo, o facto de ser tão caseira.
Nesse dia também mostrei a ele uma música que gosto muito, e que é do Paulo Coelho com o Raul Seixas, «A Maçã”. Como não conhecia a música, depois ele me disse que foi lá no YouTube - adoro o clip, acho muito genial ter porta mas não ter paredes - e que tinha duas coisas para me dizer: primeiro que descobriu que o Raul Seixas já tinha morrido - claro, ele nem sabia quem era Raul Seixas, completamente natural então não saber que ele tinha morrido -, e depois que preferiu a minha versão que a com a voz do Raul. Fiquei sem entender, deve ser porque ouvi Raul a minha infância inteira e, para quem conhece Raul só agora, talvez possa estranhar.
A letra dessa música é uma coisa muito louca de linda, parece ter sido escrita depois de ler um livro do Henry Miller. (Digo, o sentido da letra, não vai lá alguém interpretar errado e sair dizendo que o Paulo Coelho copiou a letra de um livro do Henry Miller, não disse nada disso, é só o sentido, a ideia, essa coisa da liberdade sexual e a sensualidade da letra que me faz lembrar Henry Miller, só isso…)
Aliás, estou aqui pensando com os meus botões e não consigo me lembrar de outra música que expresse tão bem a ideia de liberdade sexual feminina. Essa coisa de “e outro vem quando tu chamas”, em outras letras de música estariam chamando a mulher de puta e piranha para baixo, risos, enquanto que em “A maçã” é o contrário, aceita-se a beleza da maçã que é igual às outras e, apesar do sofrimento, aceita-se a liberdade ao invés da vaidade da posse, e aceita-se a liberdade por considerar o sexo bonito, e não algo promíscuo e feio.



















[…] Outros dois livros que ganhei recentemente foram: o “Livro Sexto” da Sophia de Mello Breyner Andresen e o «Sonetos» da Florbela Espanca. […]