Hoje, 17 de Dezembro, é o Dia Internacional Contra a Violência sobre Trabalhadores do Sexo.
48 trabalhadoras do sexo foram mortas pelo americano Gary Leon Ridgway, e a partir de então o dia 17 de Dezembro se tornou o dia Internacional Contra a Violência sobre Trabalhadores do Sexo. Gary, que pegou prisão perpétua, matava trabalhadoras do sexo porque pensava que nunca seria apanhado.
E, realmente, nem estava completamente errado, digo, podia ser que, se não fosse o grande número de mulheres, nem tivessem dado pela ausência delas. Por quê? Porque quase ninguém se importa.
Falemos sinceramente, sejamos hipócritas mas não tanto: quem se importa, quem realmente se importa com a morte ou a violência sofrida por uma prostituta, diz lá, quem, quem, quem? Eu te respondo: quase ninguém.
E por quê? Eu te digo: porque, quando se trata de violência contra uma ‘prostituta’, a atitude quase geral é de conformismo. “Ah, são ossos do ofício, é um risco que uma mulher dessa vida corre mesmo”, é assim que dizem, como se a violência sofrida fosse uma coisa que tivesse que ser considerada normal, só porque ela é prostituta.
É como se ela quase merecesse isso, é uma prostituta e então está tudo bem, não tem problema.
Estamos falando de mulheres e homens, de seres humanos, não apenas de ‘trabalhadores do sexo’. Estamos falando de pessoas, de vidas humanas, não das suas profissões.
Todavia, o que acontece é que, quando se trata de trabalhadores do sexo, é como se o olhar se tornasse diferente, é como se a violência se tornasse mais “normal” se aplicada a este grupo. Para você está tudo bem matarem os farmacêuticos, desde que não matem os médicos, a profissão faz deles pessoas diferentes, e aí um pode morrer, o outro não… (?!)
É o que acontece com a “prostituta”, todo mundo pensa que a conhece, todo mundo a julga, e todo mundo se acha melhor que ela também. Ela não é digna, é o que todo mundo pensa, e eu tô cansada de ouvir aquela mesma pergunta, se eu não gostaria de ter uma vida mais digna, cacete, eu tenho uma vida digna, eu sou uma pessoa digna, não é o facto de ser escort - ou se fosse o que quer que fosse dentro desta indústria - que muda o que sou, e cá eu só lamento se não me faço de coitadinha como esperavam, só lamento que eu não me ache - porque realmente não sou - pior que ninguém, ou indigna, ou algo do género, pelo contrário, eu me acho uma igual, de igual valor, então guarda o lencinho porque não vai ver lagriminha caindo não, sinto muito.
Mas sim, tenho a total noção de como os trabalhadores do sexo são vistos pela sociedade, ou são os marginais ou são os coitadinhos, mas jamais seres humanos - e que como tal merecem o mesmo respeito e tratamento. Esta última fotografia reflecte o que quero dizer aqui: estou falando de direitos humanos. Porque toda vez que se fala em violência contra trabalhadores do sexo, a primeira coisa que se fala é de uma regularização da profissão, como se só a profissão importasse, como se o trabalhador do sexo só pudesse e devesse ser respeitado se tiver os seus “direitos trabalhistas”, e aí eu lembro de uma colega que uma vez quis ir à polícia dar uma queixa de uma violência sofrida, mas que depois me disse “Como poderei reclamar disso se minha actividade é ilegal?”, no que eu respondi para ela “Sua actividade não é ilegal, só não está regularizada perante a lei, e além disso, antes de atacar a sua actividade, foi você, a sua pessoa que foi atacada, que sofreu uma violência, não é o facto de não ter direitos trabalhistas que implica que com isso você tenha perdido os seus direitos humanos”, porque é isso o que acontece também, a sociedade o tempo todo empurra os trabalhadores do sexo para debaixo do tapete, como se fossem sempre o lixo da rua, que o próprio trabalhador do sexo, muitas vezes, perde a noção do seu valor enquanto gente, antes de ser um profissional, seja de qual área for.
Se você se importa
Como disse, quase ninguém se importa.
Mas, se você se importa, celebre este dia, seja você trabalhador do sexo ou não.
Como? O símbolo desta data é o guarda-chuva vermelho, como podem ver nas imagens desse post. Se tiver um blog, escreva sobre isso, ou insira a imagem, ou então substitua a sua foto por um guarda-chuva vermelho nas redes sociais.
Abaixo alguns links onde podem saber mais da história desta data, ou pegar as imagens de guarda-chuvas vermelhos.
- Artigo no Público
- http://www.scarletalliance.org.au/events
- http://www.sexworkeurope.org/icrse/index.php/en/home-mainmenu-186
Agradecimentos:
1- À Alexandra Oliveira, que lembrou da data antes de todo mundo e forneceu os links acima.
2- Ao GAT.


















