Interessante o comentário que recebi do meu amigo Fernando Andersen a respeito do post sobre o dia internacional contra a violência sobre trabalhadores do sexo:
«(…)Mais uma vez tens razão, no que escreveste acerca das trabalhadoras do sexo. Pouca gente haverá que se preocupará com elas. Depois de fazerem sexo com elas, já nada lhes interessa, ou, melhor dizendo, só lhes interessa despejar os tomates e na grande maioria dos casos é a único motivo para se aproximarem delas. Não as vêem como seres humanos, e têm um total desprezo por elas. Depois são capazes de olhar ou fugir, como se fossem leprosos. É triste, muito triste.(…)»
Gostei da palavra que ele utilizou, leprosos. Porque de facto é assim: para alguns, a única coisa que interessa é o contacto sexual com a ‘prostituta’, mas depois existe aquele nojo dela, como se ela fosse um poço de doenças, como se ela não fosse digna de andar na mesma calçada, e aí é estranho, estranho e contraditório, sexo e nojo, fazer sexo com alguém por quem se sente nojo, não é estranho?
…
Não falarei apenas da posição de alguns clientes, porque devo dizer que também, para algumas profissionais, o leproso é o cliente. Serve o dinheiro dele, mas não serve mais nada, “Já está? Então adeus, já vai tarde.”
…
E se for para ficar olhando para quem é que tem a culpa, quem é que apenas está reagindo à atitude arrogante e esquiva do outro, a gente nunca chega em lado nenhum. De facto, assim penso, a culpa não é de nenhum dos dois, e ao mesmo tempo dos dois, que podiam mudar a situação. A culpa é de uma sociedade misógina, castradora e hipócrita, e as relações entre prostitutas e clientes não são assim tão diferentes - não de todo - das relações entre homens e mulheres. Há boas e más relações entre homens e mulheres, e a relação entre prostitutas e clientes também será um reflexo disso.


















