Recentemente também recebi um link para a entrevista no Expresso:
Se não fossem as dívidas, teria continuado a fazer sexo à borla
… pensamento com o qual concordo, aliás, tenho falado nisso aqui desde sempre.
A entrevistada é ninguém mais e ninguém menos que a Brooke Magnanti, autora do famoso blog Belle de Jour.
Já falei sobre o livro dela aqui, basta ler o post Belle de Jour, escrito em dezembro de 2005, quase 5 anos atrás.
Conforme expliquei no post, fiquei desiludida com a Brooke por ela relatar que fazia oral sem preservativo, algo que ela mesma descrevia como “um risco menor para ela, e um risco maior para os clientes dela”. Fiquei desiludida porque, sendo ela uma mulher tão inteligente, era impensável que admitisse correr qualquer espécie de risco, por menor que fosse. Além disso, porque era acompanhante de luxo - e lembre que, na altura que eu li o livro dela, eu não era ainda “acompanhante”, era no máximo uma garota de programa que fazia convívio no meu próprio apartamento enquanto independente -, era impensável que neste aspecto precisasse então de se rebaixar para conseguir ter clientes.
É que eu vinha do bordel e no bordel a gente aprende muita coisa. Se eu tivesse começado como acompanhante independente, não teria esta percepção que se tem quando trabalhamos em grupo, quando trabalhamos juntas num mesmo local com outras prostitutas, garotas de programa ou acompanhantes de luxo. É que só assim, estando num mesmo local, que a gente vai percebendo como as coisas funcionam, como as coisas são, como elas são entendidas. Por exemplo, uma coisa que aprendi nesta actividade foi que o meu valor não é por aquilo que eu faço, mas por aquilo que eu não faço.
Quando um menina começa a fazer oral sem preservativo, por exemplo, dentro de um grupo, ela se torna diferente, as próprias meninas começam a tratá-la de forma diferente. Ela se torna aquela que “coitada, ela só tem clientes porque faz oral sem preservativo”. Fazer oral sem preservativo é baixar completamente o nível, não tem coisa mais característica de uma acompanhante de baixo nível do que o oral sem preservativo. Porque, se as outras trabalham pelos mesmos honorários, e não precisam de fazer o oral sem preservativo, correr riscos para ter clientes, se ela precisa é porque já não tem mais nenhum outro atractivo ou diferencial que valha a pena, e por isso tem que apelar às relações de risco.
Mas eu já sabia que muitas ditas “acompanhantes de elite” faziam oral sem preservativo, ou mesmo outras relações sexuais sem protecção. É que se fosse para atender o mecânico que tem os dedos todos sujos de graxa, até há quem sinta algum nojo de chupar o pinto dele, mas, como é o director da multinacional, tem muita menina que cai de boca porque acha que o pinto dele está limpo, inclusive de doenças.
Bem, mas fora este ponto dos comportamentos sexuais de risco, gostava muito do blog Belle de Jour, principalmente porque foi o primeiro blog de uma acompanhante que eu conheci.
Esse post faz parte de uma série e terá continuação…


















