Tive que pensar nisto essa semana: e se um cliente meu morresse?
Depois de meses ou anos de encontro, se ele morresse, e por isto de repente sumisse, eu ia acabar achando normal, dado que um cliente não é obrigado a dar satisfação sobre o facto de ter deixado de me procurar enquanto acompanhante.
De facto é assim: se um cliente me procura determinada altura, ou em determinada fase da vida dele, e se de repente ele deixa de me procurar, eu entendo como algo normal, absolutamente normal. Daí eu deixo de pensar nele, deixo de pensar na existência dele, afinal tenho que pensar nos outros, naqueles que ainda estão comigo, presencialmente, semana após semana, em cada encontro, não dá para ficar pensando nos que já foram, aqueles que um dia foram clientes, acompanhante vive de agora, não do seu passado ou daqueles que já estiveram com ela no passado, inclusive porque, se assim fosse, ao longo do tempo seria muita gente para ela se lembrar.
Mas e se ele não teve culpa? E se a razão de ele ter deixado de me visitar tenha sido exactamente esta, morreu?
Depois de meses, talvez anos de encontros frequentes, acabamos por ter uma história juntos. Mas, caso ele morra, eu não estarei na lista das pessoas que a família vai avisar.
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Fui obrigada a pensar nisto por causa de um cliente que fez uma cirurgia. Correu tudo bem e até já estivemos juntos, diz ele que eu fui a primeira mulher com quem ele fez sexo depois da cirurgia - o que foi uma grande responsabilidade para mim, mas ele queria mesmo saber se estava tudo funcionando como antes, e não quis arriscar com outra pessoa, risos. Bem, mas facto é que, se ele não tivesse vindo me ver, se - deixa eu bater aqui na madeira, 3 vezes - a cirurgia tivesse corrido mal, eu teria ficado sem saber.


















