Então, como estava dizendo, fazer um site para um acompanhante dá um certo trabalho. Afinal de contas, o meu trabalho não é igual ao trabalho daquela empresa que a Beth contratou para fazer o seu outro site não, eu faço é tudo, exactamente tudo, não recebo tudo quase pronto bastando um copy/paste para dentro de um layout (que ainda por cima não está optimizado nem preocupado com a acessibilidade).
Começo do início e faço tudo, tudo mesmo.
Para a construção do site do Eduardo, precisei de dois dias, e os processos foram estes:
1º dia:
- Parte 1: Conversa informal pessoalmente
Quando a Beth me falou do Eduardo, fui eu a oferecer que fazia um site para ele. Mas eu não tinha como fazer um site se não o conhecesse pessoalmente, porque, afinal de contas, eu tinha que captar a sua essência, os seus objectivos, etc., para fazer um site para ele. Uma coisa é fazer um site para um acompanhante, outra coisa é fazer um site para “o acompanhante” ou para “a acompanhante” X. A diferença? Se eu começo a fazer um site pensando que estou fazendo um site para um acompanhante e não para o acompanhante, este acompanhante será apenas mais um, quando o objectivo não é este, o objectivo é que ele seja “o acompanhante”.
Ali, sentados numa mesa de um café, eu fui captando a sua essência, enquanto pessoa mas também enquanto profissional. Fui dando umas dicas, e ele aceitou, mas claro, teria a liberdade de não aceitar também.
O que fui falando foi de acordo com a vasta experiência que tenho no sector. Todavia eu tinha que ter a noção exacta de que o acompanhamento feminino e o acompanhamento masculino têm as suas diferenças, principalmente em termos de mercado. Eu tinha então que saber disso e buscar soluções dentro daquilo que conhecia.
Em termos de honorários, ele não cobra por exemplo o mesmo que eu. Mas esta foi uma dica que lhe dei: agora com a exposição na web, comece com honorários mais baixos mas, com o tempo, depois de construir a sua carteira de clientes, depois que for se tornando mais conhecido, vai aumentando. O site faz muita coisa sim, mas a melhor publicidade de um acompanhante, independente de ser homem ou mulher, é o que acontece no acto de companhia ao cliente.
- Parte 2: Concepção da ideia do site
Este é um processo que primeiro acontece dentro da minha cabeça. Ao penar no site, estas eram as primeiras ideias que tinha:
a) Não queria, apenas por se tratar de um homossexual, ir para o caminho da vulgaridade. Não faria o mínimo sentido se o tipo de clientes que se pretende é outro. Quando ele me disse por exemplo sobre tirar fotos do seu pénis erecto, eu achei melhor não fazê-lo. Pode ser erótico, pode ser bonito… mas eu não queria que ele fosse visto apenas como um homem de pinto grande, mas como um homem cheio de qualidades, que é o que ele é.
b) Não queria que fosse um site parecido com os outros.
- Parte 3: A escolha do nome do site
a) Eu sei que podia colocar apenas o nome Eduardo Tavares, mas apenas o nome não traria o resultado que queria, muito menos iria expor claramente os propósitos do site.
b) Hoje há muitos acompanhantes masculinos que atendem mulheres e casais, alguns deixam bem claro: “apenas mulheres e casais”. Não é este o caso do Eduardo, ele é homossexual e só atende homens mesmo. Em função de haver então tantos acompanhantes que atendem apenas mulheres e casais, eu achei necessário que fosse um nome bem forte, e que expressasse claramente isto, ou seja, que ele atende um público masculino. Então ficou o endereço: gayescortportugal.wordpress.com.
- Parte 4: Criar e-mail e site
Crio o site numa conta dele, para que, mais tarde, ele possa fazer o que quiser no seu site. Eu só fico com o acesso para esta fase inicial, mas depois o site é dele, totalmente dele, tem os endereços de tudo, o nome de usuário, a senha que pode mudar quando quiser. Já passei para ele todos esses dados.
É por isso que prefiro fazer um site no Wordpress ao invés de construir um site em html, entre outras vantagens. A questão é que, se faço por exemplo um site em html, não será possível, para quem não sabe editar códigos em html, mexer no próprio site depois, enquanto que numa plataforma para construção de blogs é tudo muito mais fácil.
- Parte 5: Desenho do site
Este é um desenho que faço na minha cabeça ou num papel, pensando em quantas páginas terá o site, onde vai estar o quê.
- Parte 6: A escolha do layout
Não escolhi um layout e deixei assim. Fui testando vários, até encontrar aquele que melhor se adaptasse ao desenho do site.
- Parte 7: Os primeiros textos
Comecei a escrever o texto, e cada palavra ali tem um objectivo concreto.
Ao escrever o texto, tinha a noção do seguinte: a maior parte dos clientes dele não são homossexuais assumidos, mas, a maioria mesmo, homens casados e homens que têm uma vida dupla. (Por isso insisti tanto nas palavras sigilo e discrição…)
É claro que, se um homem está com um outro homem, se ele é casado é bissexual ou no mínimo heteroflexível. Mas eu não queria colocar isso lá, colocar por exemplo “homossexual atende homossexuais, bissexuais ou heteroflexíveis”, até porque não é porque um homem é homossexual, bissexual ou heteroflexível que deixa de ser homem - ser hetero, homo ou bi é a sexualidade, a opção sexual, não o sexo de uma pessoa - e eu não queria que a linguagem pudesse causar conflitos.
Decidi que deveria haver uma página chamada “Condições”. Sabendo dos maus tratos e do preconceito sobre os homossexuais, achei importante falar sobre a homofobia nesta página, sobre o respeito ao outro e da importância disso tudo.
Eu tinha que pensar em tudo, em cada palavra, em cada detalhe.
…
Isso foi o que era possível fazer no primeiro dia. Ainda não tinha a foto dele, ainda não tinha os dados para colocar no perfil, ainda não tinha o número do telemóvel que ele queria que colocasse na página.
Num próximo post falo sobre o que foi feito no segundo dia, ou seja, ontem desde às 7 e pouca da noite às 7 da manhã de hoje.
Paula Lee é blogueira, autora do livro Alugo o meu Corpo e acompanhante. Enquanto escort atende em Lisboa diariamente, para marcar encontro deve ligar de um telemóvel identificado para o +351 967262559.
Hoje vou estar de folga, porque combinei com o Adriano de ele vir aqui para acabarmos o site dele.
Só estarei ao telefone, e fazendo as marcações para Terça a Quinta em Lisboa ou para Sexta a Domingo em Cascais.
Cheguei em casa por volta do meio-dia, e era para o Adriano vir aqui mais cedo, só que eu estava com uma dor de cabeça terrível e cheia de problemas para resolver.
Ainda por cima o Gatito veio aqui, há quase uma semana que não nos vemos.
Então estive com o Gatito, depois fui lavar e secar o cabelo, e agora vou ao mercado, comprar algo para fazer o jantar para o Adriano, e resolvemos o que tivermos que resolver tudo de uma vez.
Ele vem só depois das 7 da noite, diz que tem uma massagem para fazer num bofe às 6.
Bom, chega de papo, tenho que correr com as coisas aqui…
‘Beijim’.
Paula Lee é blogueira, autora do livro Alugo o meu Corpo e acompanhante. Enquanto escort atende em Lisboa diariamente, para marcar encontro deve ligar de um telemóvel identificado para o +351 967262559.
Então só vou me encontrar com o Adriano amanhã, lá em casa em Lisboa, hoje ainda passo o resto do dia em Cascais.
Mas já conversei muito com ele, e com base em tudo o que já conversamos, já comecei a fazer o site dele.
Só vai ficar faltando aquilo que só poderemos fazer amanhã. Por exemplo, amanhã vamos tirar as fotografias, e, aproveitando que tenho uma fita métrica em casa, serei eu a tirar as medidas dele para colocar no perfil do site. (Vou só tirar uma casquinha, posso?)
Fazer o site dele está sendo um bom desafio para mim. A questão é o seguinte: sendo o Adriano um acompanhante masculino que atende homens, a tendência é, em sites de acompanhantes gays, se esperar alguma vulgaridade, e eu não queria isso, não queria ir para esse lado, até porque o Adriano não é uma pessoa vulgar, até porque a vulgaridade é apenas mais um dos estigmas que pesam sobre a homossexualidade, até porque o facto de ele ser homossexual não muda o facto de ser escort, logo não acho que deveria mudar o site ou a forma de fazer a comunicação do site apenas pelo facto de ser gay, porque penso que, se fizesse isso, aí sim, estaria alimentando o estigma e o preconceito.
Quem quiser dar uma espiada, o endereço é este aqui:
O título eu quis que fosse bastante claro, afinal hoje há muitos acompanhantes masculinos que atendem mulheres e casais, mas que não atendem homens, por isso quis deixar claro que, no que diz respeito ao Adriano, é um atendimento destinado mesmo ao público masculino.
Fica faltando para acabar o site:
- Acrescentar as fotos
- Acrescentar as medidas na página Perfil
- Acrescentar o seu contacto telefónico
Apesar de ainda não ter colocado o contacto telefónico no site - amanhã o farei -, já deixei lá o e-mail dele…
Paula Lee é blogueira, autora do livro Alugo o meu Corpo e acompanhante. Enquanto escort atende em Lisboa diariamente, para marcar encontro deve ligar de um telemóvel identificado para o +351 967262559.
Liguei para o Adriano hoje cedo, como ele tem um compromisso agora, logo só poderia vir aqui para Cascais mais tarde, e mais tarde tenho um encontro agendado, decidimos que então amanhã ele vai lá para a minha casa em Lisboa, e lá tratamos de tudo.
O Adriano é uma graça de pessoa. Não é aquele acompanhante masculino como se vê mais por aí, digo, aquele cara que passa o dia no ginásio malhando não. O Adriano tem tudo no lugar, as pernas grossas, um peito forte e cabeludo, tem o corpo bem atlético, mas nada exagerado.
Mas o ponto mais forte dele é a sensualidade. Eu até estava falando com a Beth sobre isso e ela concordou, o Adriano é muito sensual, tem uma sensualidade que é muito natural nele.
Só é pena que ele não goste de mulher*.
(Digo, pena para nós mulheres, né?)
* Vocês entenderam o que eu quis dizer com “não goste de mulher”. Apenas quer dizer que sexualmente não gosta de mulher, só isso.
Paula Lee é blogueira, autora do livro Alugo o meu Corpo e acompanhante. Enquanto escort atende em Lisboa diariamente, para marcar encontro deve ligar de um telemóvel identificado para o +351 967262559.
Hoje o “furacão Paula Lee” vai passar. O furacão Paula Lee não faz destruição, pelo contrário, trabalha na reconstrução. O furacão Paula Lee leva o telhado e as paredes da casa, para reconstruí-la novamente, a partir de um alicerce que antes não existia.
Conheci um amigo da Beth, o Adriano, conforme contei aqui, ele faz atendimentos a homens. A Beth pediu para eu dar uma força para o Adriano, mas eu já estava a pensar em fazê-lo.
Se para uma mulher, iniciante na actividade, pode ser difícil se estabelecer, digo, saber se impor, saber se valorizar… mais difícil é para um homem, homossexual, em função do preconceito.
Mas as coisas não têm que ser assim. Ele é um ser humano como qualquer outro, e merece respeito como qualquer pessoa.
O Adriano esteve a me contar umas histórias, histórias que para mim não eram novidade alguma no que diz respeito aos clientes de acompanhantes masculinos.
Mas foi o que eu falei com ele… Comecei por baixo, trabalhando em bordéis, atendendo alguns homens bons mas outros que “Deus-me-livre”. Com o tempo, aprendendo a me valorizar, aprendendo sobretudo a adquirir o respeito por mim própria, a perceber que sim, sou um ser humano e mereço respeito, pude seleccionar uma clientela e, hoje, tenho ao meu redor homens que me respeitam, me valorizam, enquanto acompanhante mas também enquanto mulher e enquanto pessoa.
E é isso o que quero fazer pelo Adriano, uma transformação completa. A transformação não passa pela sua imagem, porque felizmente ele tem uma boa imagem, tem um óptimo corpo, um rosto bonito, se veste super bem, é cheiroso toda vida, é educado, simpaticíssimo. Mas nem isso, ter uma boa imagem, adianta tanto se uma pessoa não sabe divulgar a sua imagem, e, principalmente, divulgá-la para o público certo.
Hoje então vou estar com ele, fazer uma espécie de assessoria.
Da mesma forma que encontrei homens maravilhosos, vou trabalhar na divulgação do Adriano também para isso, ou seja, direccionada a outro tipo de público, ou seja, homens que querem ser atendidos por um homem, mas homens com um certo nível, que possam respeitá-lo e valorizá-lo.
Vou fazer um trabalho completo. Primeiro vou dar umas dicas de valorização pessoal e profissional, falar sobre o público que deve atender, depois vou construir o site dele.
Dou notícias depois, aguardem.
Paula Lee é blogueira, autora do livro Alugo o meu Corpo e acompanhante. Enquanto escort atende em Lisboa diariamente, para marcar encontro deve ligar de um telemóvel identificado para o +351 967262559.