Blog de intimidades de uma acompanhante… para relacionamento sério.

Amante Profissional - Diário íntimo.

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Notícia: o meu livro, «Alugo o Meu Corpo», publicado em Portugal pela Dom Quixote em 2007, chegou ao Brasil pela Editora Planeta. COMPRE AQUI.





julho 5th, 2010 at 2:19 pm

Citação de um acompanhante: «Não vejo uma pessoa, vejo uma nota de 50 euros» (5 - Final)

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« Parte 4

Compreendo esta frase «Não vejo uma pessoa, vejo uma nota» porque, de certo modo, é como se fosse uma defesa também, pelo menos na minha opinião.

Se um cliente vê um(a) acompanhante apenas como alguém a quem ele paga um valor x para obter o que precisa, e se o foco aqui é apenas o dinheiro, apenas o facto de ele pagar aquele valor x, um valor x que, se ele não paga a um(a), pagará a outra pessoa para fazer o mesmo, porque o(a) acompanhante não pode ver o cliente também assim, como alguém que em troco de um objectivo claro lhe dá um valor x?

Sim, é claro que um(a) acompanhante conhece muita gente legal, gente que gosta mesmo dele(a), que tem um carinho especial por ele(a). Mas muitíssimas vezes, e por mais carinho que você dê para uma pessoa, por mais que pareça que tudo corre na maior perfeição entre vocês, você descobre que, da parte do cliente, só foi aquilo mesmo, só uma transacção comercial, um serviço. Daí eu pergunto: se para o cliente foi só um serviço, só uma transacção comercial, por que para o(a) acompanhante não pode ser então só pelo dinheiro? Muitas vezes acusam acompanhantes de serem mercenárias(as), mas não percebem que, desde o princípio, foi o cliente, e não a acompanhante, a fazer do dinheiro algo mais importante do que devia ser. Para a acompanhante, o dinheiro é apenas o valor dos seus honorários, mas, para alguns clientes, a forma de “negociar”.

Por mais que eu já não consiga hoje pensar assim, penso que às vezes é o mais correcto, quer dizer, o mais correcto talvez não, mas pelo menos o mais simples, o que dói menos.

Vou dar um exemplo. Não é desde sempre, mas pelo menos desde quando me tornei independente. As meninas me olham e dizem: “Paula, não acredito, não acredito que você está sofrendo por causa de cliente.” Eu sofria - pior: ainda sofro, risos - por causa de tudo. Às vezes, cliente chegava, vinha com uma conversa triste, uma história triste, e eu quase chorava junto com ele. Mais que isso, depois eu passava a semana, toda jururu, preocupada com o problema do tal cliente, pensando em como podia ajudá-lo a resolver aquele problema. E às vezes, risos, muitas vezes, era tudo mentira dele, risos, risos, às vezes eu sou muito otária mesmo, fico achando que todo mundo é legal e bonzinho.

Isso apenas para dar um, entre 500 exemplos, de coisas que me acontecem com uma frequência absurda. É que eu me envolvo, sabe? Me envolvo com a vida das pessoas, com a história delas, com aquilo que me parece ser o sentimento delas. Ok, é facto que eu não me apaixono, raramente me apaixono, mas isso não significa que eu tenha perdido a minha sensibilidade, muito pelo contrário, tudo me sensibiliza, eu ouço atentamente tudo, e, de certo modo, tudo me afecta também.

E muitas vezes, mais do que aquilo que posso admitir, sofro. É claro que não posso chegar para o cliente e contar o quanto fiquei sofrendo com o problema dele, o quanto isto ou aquilo me afectou, vai contra os limites da minha actividade enquanto acompanhante; só dentro de vários anos, se ele continuar sendo meu cliente, que eu posso um dia contar, abertamente, tudo o que se passou. Antes que me perguntem, não posso falar coisas abertamente porque, em primeiro lugar, o cliente não está preparado para isso e, em segundo lugar, porque ele pode interpretar de outra forma os meus sentimentos. É dada, ao cliente, a liberdade de ir e vir, de poder livremente escolher com qual acompanhante ele quer ficar, e muita coisa eu evito para não parecer jogo baixo, “jogo” para atrair ou segurar cliente, sabe? Não sou de jogos, quem quiser vir que venha, mas não faço jogo para fazer com que isto aconteça.

Mas muitas vezes eu vejo que, quando trabalhava em bordel e em casa de convívio, e tinha que pensar no dinheiro - até porque o cliente também não ia lá se importando tanto com a pessoa que ia estar com ele; ele ia atrás de um corpo e de serviços sexuais específicos -, eu sofria muito menos, até porque depois do 10º, eu já nem lembrava mais da cara do primeiro, ou do que aconteceu com o primeiro, o que ele disse ou não disse, ou seja, as coisas deixavam de me afectar até porque aconteciam numa velocidade muito grande.

Houve muitas situações a me mostrarem que eu estava dando de mais de mim, mais do que muitos deles mereciam. Eu tinha um cliente na Zona Centro por exemplo, ele era muito legal, eu gostava muito dele e ele parecia gostar muito de mim. Vocês não fazem ideia: era um dos maiores empresários da região, homem simpático, me tratava muitíssimo bem, etc. Mas na maioria das vezes ele só ligava na hora errada, quando eu tinha acabado de colocar a minha roupinha de dormir. E por vezes ele ligava e eu já estava dormindo mesmo, mas, como ele insistia ao telefone, eu acabava atendendo, acabava abrindo a porta para ele. Então eu dizia ao telefone: “Mas eu estou dormindo”, e ele, com a maior meiguice do mundo “Mas não tem importância”.

Não era uma brincadeira. Era mesmo sério que, estar dormindo ou acordada, não tinha tanta importância assim. O que importava era que, naquela hora, era a hora que ele queria se satisfazer.

Não me decepcionei uma, nem duas, nem 1000 vezes com os meus clientes, me decepcionei muito mais que isso. Caras fantásticos, maravilhosos comigo, e que tinham o mais alto nível em tudo… acabavam mostrando, de uma forma ou de outra, mais cedo ou mais tarde, que o que importava, apenas, era a satisfação deles.

Não sou o tipo que pensa que todos os homens são iguais, nem gosto de atender uma pessoa já pensando naquilo que conheço das outras. Mas por mais que eu tenha mente aberta, por mais que eu tente ver o homem como alguém único, há situações em que ele se mostra, afinal, exactamente como os outros, principalmente no que diz respeito a seguir os piores modelos.

Se uma pessoa me liga, pergunta se posso atender, se naquele horário vou estar indisponível, e ele então procura outra, é claro que o que importava para ele não era estar comigo, mas que uma, qualquer uma dentro de parâmetros x ou y, satisfaça as vontades dele. E aí depois o cara vem com todo aquele papo que você era importante e coisa e tal, quase te fazendo sentir culpada por estar indisponível naquela hora…

Sim, tenho clientes que me ligam e que não me tratam como uma pessoa substituível. Mas não são todos assim, até porque não é da natureza do “cliente” ser assim. São excepções, pessoas de excepcional grandeza.

(Às vezes uma pessoa não entende a razão de um comportamento ou outro de um(a) acompanhante. Não é para entender não. É tudo defesa, é tudo consequência de situações já passadas, muitas vezes repetidas, tem hora que a gente até já consegue fazer previsões de tudo. Tem que ir com calma. Seja correcto, enquanto cliente, que com o tempo ele(a) se libertará para ti. Mas não cobre isso, não exija, deixe que ele(a) te conheça melhor, porque quando achar que mereces, ele(a) vai se soltar, se libertar das defesas. )

Tudo isto apenas para dizer que sim, que compreendo quando um(a) acompanhante diz que vê uma nota, mas não uma pessoa. Pelo menos vão sofrer menos que eu. Porque com o dinheiro, pelo menos, não vão se decepcionar.

Como mudar a postura do(as) acompanhantes? Quando mudar também a postura dos clientes. Enquanto o cliente tratar o(a) acompanhante apenas como um serviço, e não como uma pessoa, o(a) acompanhante também tratará o cliente como uma nota.

Paula Lee é blogueira, autora do livro Alugo o meu Corpo e acompanhante. Enquanto escort atende em Lisboa diariamente, para marcar encontro deve ligar de um telemóvel identificado para o +351 967262559.
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julho 5th, 2010 at 1:17 am

Citação de um acompanhante: «Não vejo uma pessoa, vejo uma nota de 50 euros» (4)

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« Parte 3

Dentro de um cenário ruim, claro que existe aquele homem que não é tão terrível quanto os outros. Aquele que é mais fácil de atender, aquele que vem e despacha-se logo, etc.

E aí a gente passa até a aceitar estar com estes, e aceitar não é sinónimo de gostar, apenas significa aceitar, não sofrer com isso. Só que não são apenas estes os que nos procuram.

Então eu pensava que, com o passar do tempo, ia ser cada vez mais fácil para mim atender clientes. Não posso dizer que se tornou mais fácil, mas com certeza é menos difícil, o sentido de uma coisa não é o mesmo que o da outra.

Mas o problema é que, aturar certos tipos de pessoas e de comportamentos, era uma coisa que se tornava ainda mais complicada para mim. E, muitas, muitas e muitas vezes, para poder trabalhar, eu tive que pensar no dinheiro sim, inclusive porque, se eu não pensasse nisso, eu não atendia era cliente nenhum, até porque, interiormente, eu tinha o cliente como um violador, alguém que abusava de uma fragilidade para conseguir o que pretendia, ou seja, o que não faltava era motivo para eu não querer estar com um homem no quarto, e por isso, se eu não pensasse no dinheiro, se eu não fechasse os olhos para a realidade e não pensasse no dinheiro, eu não teria tido cliente nenhum.

Note que eu estou falando de tempos em que trabalhava em bordéis ou casas de convívio. No bordel a gente se aproximava do homem, perguntava se ele queria ir para o quarto, se quisesse ele pagava no caixa e ia, com um tempo contado. Já nas casas de convívio, em geral, um homem entra, fica à espera numa sala, até que uma a uma se apresente a ele, e depois ele escolhe. Nessa hora, ser escolhida era tão ruim quanto não ser escolhida.

Porque você se sentia muito como um objecto, tipo carne de talho. Mesmo quando o homem dizia gostar de ti, ter apreciado muitas qualidades em ti, fazendo até com que você fosse ali a oficial para ele, a única com quem ele ia para o quarto - o que por vezes podia fazer até com que a mulher confundisse com amizade, afecto ou até um carinho especial -, depois num outro dia, de repente, ele te dizia por exemplo “Olha, hoje vou com aquela sua colega ali, é que estou louco para «experimentar» uma mulata”. «Experimentar», ele dizia, e aí você nota que afinal foi apenas isso, um objecto que ele podia «experimentar».

Por isso que compreendo.

Não, não vou criticar, porque sei bem o que é.

Compreendo um acompanhante ou acompanhante que acabe por dizer que vê uma nota, e não uma pessoa, porque muitas vezes ela não é tratada como uma pessoa também.

Esse post faz parte de uma série e terá continuação…

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julho 5th, 2010 at 1:02 am

Citação de um acompanhante: «Não vejo uma pessoa, vejo uma nota de 50 euros» (3)

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« Parte 2

Vamos falar a verdade. É que nada paga isso, sabe? Nada paga a humilhação que é uma pessoa precisar de dinheiro e, para isso, ser capaz inclusive de ir para a cama com um homem que ela não queria, que ela não escolheu. É claro que, se uma pessoa quisesse mesmo fazer sexo com um desconhecido, só pelo prazer, ia cobrar pra quê, só pra dificultar as coisas? Porque até pode ser divertido sim, mas quando você não precisa do dinheiro. Quando você precisa, muda tudo.

E quanto a isto não interessa se homem é bonito ou feio, se é alto ou baixo, se é rico ou pobre, se é médico ou pedreiro, se é estudado ou analfabeto, é tudo igual: ali dentro do quarto, ali na cama, facto é que, aquele homem, veio para fazer sexo com alguém, um alguém que não interessa quem, só interessa que dê a ele o que ele quer e o que ele precisa, e aí também não interessa se você estava mortinha de vontade de fazer isso ou não.

Era uma violação consentida, dia após dia, cliente após cliente, e eu achava absurdo que, em pleno século XXI, ainda houvesse esse tipo de homem, que procurava uma mulher para fazer sexo, sabendo que no fundo ela nem desejava estar com ele, e pagando por isto, como se o pagamento “amenizasse” a situação, como se o pagamento fizesse dele inocente, e não um violador, que ao invés de conquistar uma mulher usa, neste caso não a força, mas outro recurso de coação, para obter o que quer, para poder fazer sexo com ela, quando ela não queria. Porque apesar dos sorrisos falsos, dos gemidos ou da roupa apelativa, no fundo ele sabia, ele sempre soube que ela só estava ali trabalhando. Para falar a verdade, nesse tipo de cenário, é mais complicado para um homem uma mulher gostar de estar com ele do que o contrário. Porque para ele, o normal mesmo, é ela não gostar, é ela fazer apenas um trabalho, desde que seja boa actriz e ele saia dali contentinho.

Esse post faz parte de uma série e terá continuação…

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julho 4th, 2010 at 11:23 pm

Citação de um acompanhante: «Não vejo uma pessoa, vejo uma nota de 50 euros» (2)

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« Parte 1

Sabe, eu já pensei assim como ele, numa determinada época, no que diz respeito a ver uma nota, e não uma pessoa. É que era tão difícil, mas tão difícil ter que ir para a cama com um desconhecido, que eu tinha que pensar nisso, pensar no dinheiro que ia ganhar para poder conseguir atender aquele cliente.

Para os homens, ou pelo menos para um bom número de homens, isso é coisa fácil. Basta eu dizer a frase “Tinha que ir para a cama com desconhecidos” para o homem imaginar o lado erótico, o lado excitante da coisa, enquanto que, para mim, era o lado do pânico, do medo, do terror. Às vezes fica difícil explicar esses sentimentos para um homem, porque um homem acaba por ver apenas a parte da diversão, a parte do erotismo, e não consegue entender o quanto para uma mulher - ou para algumas pelo menos, onde eu me incluo - esse negócio da intimidade é algo tão sério. Quantas e quantas vezes, aqui no blog mesmo, não notei que era mal interpretada por algumas pessoas, que liam uma coisa e achavam que eu estava demonstrando um tipo de emoção, quando na verdade estava falando numa outra coisa, completamente diferente? Tem gente que nem entende o que é isto de se sentir invadido, ou mesmo de se sentir diminuído na sua pessoa, só por estar exposta a sua intimidade sexual. Tem gente que acha que é tudo fácil, que é fácil abrir as pernas para qualquer um, e há até quem pense que é tudo igual.

E é assim mesmo que somos “treinadas” no bordel, a pensar no dinheiro. «Pensa que o dinheiro já está no seu bolso, e que em no máximo alguns minutos o cliente vai embora», foi assim que me ensinaram a pensar, e nessa altura eu só pensava nesta parte, em que o cliente ia embora.

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julho 4th, 2010 at 9:56 pm

Citação de um acompanhante: «Não vejo uma pessoa, vejo uma nota de 50 euros» (1)

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Recebi por e-mail um pdf de uma reportagem no Público com um acompanhante masculino. (Mas você pode ler aqui: Paguei 8 mil dólares às pessoas que me trouxeram para a Europa).

Uma das coisas mais duras é a frase que diz «Não vejo uma pessoa, vejo uma nota de 50 euros».

Chocou? Eu não me choquei não, de certa forma até compreendo, se bem que com uma opinião um pouco diferente.

Mas antes de mais qualquer coisa, um trecho maior, para o comentário fazer mais sentido.

«Tenho um namorado. No início, ele não lidava bem com a minha profissão. Ele pensava que prostituição era coisa de vagabundo. É assim que as pessoas pensam: prostituto é preguiçoso, burro, sujo. Eu não. Podia ter estudado qualquer coisa. Gostei de ser puta. Gosto de não ter um patrão, um horário, de viver a minha vida desse jeito. Não é uma vida tão sofrida como se pensa.

Distingo bem a minha vida pessoal da minha vida profissional. Nunca me apaixonei por um cliente. Nunca me iludi. Nunca deixei de cobrar. Não me venha dizer que está stressado com o trabalho, com a família. Não vejo uma pessoa. Vejo uma nota de 50 euros.

Cobro 50 euros pelo básico: 15 minutos a fazer anal e oral. As raparigas cobram menos porque há muita oferta. Basta abrir um jornal para ver: são quase uma praga! Comigo, máximo 20 minutos, mínimo 40 euros.

Há trabalhadores do sexo que viajam com o cliente, jantam com o cliente, dormem com o cliente - até no interesse de serem apadrinhados. Eu é só o acto. Mais do que isso agride-me. Prefiro fazer dez clientes desconhecidos do que estar com um fingindo que estou apaixonado. Não tenho estômago para isso. Mas há pessoas que gostam disso, que têm talento para isso, que dão graças a Deus quando encontram um velhote que as queira manter.»

No próximo post desta série, darei as minhas opiniões em função daquilo que eu vivi. Note, isto não anula a opinião dele. Cada um age, ou reage, de acordo com as experiências que teve, e aquilo que sentiu de cada experiência, e ninguém tem como mudar isto. Trazer aqui as minhas opiniões não significa que desrespeite as dele, muito pelo contrário, é apenas algo a acrescentar.

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maio 16th, 2010 at 1:07 am

Uma noitada maravilhosa

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Acabo de acordar de uma noitada maravilhosa que tive com um cliente-delícia. A noitada foi ontem, mas hoje cedo eu tinha um compromisso, pelo dia inteiro, e então só no final da tarde, quando cheguei em casa, foi quando acabei de dormir aquilo que pouco ou quase nada dormimos na noite passada.

Acordo e vejo uma mensagem dele, enviada umas horas antes, quando eu estava dormindo. Mas não vou responder porque, se calhar, agora será ele a dormir da noite que não dormimos ontem.

Merecida noite de sono…

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maio 6th, 2010 at 12:08 am

O amante das taças de cristal

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Quem me conhece sabe que, por um motivo que não posso contar aqui, adoro cristal. E por isso vez ou outra vou ganhando algumas peças em cristal, mas que para mim, além de terem o valor de ser algo que gosto, tem também o valor de ser algo que sempre vai me lembrar aquela pessoa e o gesto tão carinhoso, tão especial.

É muito normal, vez ou outra, algum cliente chegar aqui com alguma garrafa, vinho ou champanhe, principalmente. Não é algo que recomende ou aceite ser feito com frequência, até porque eu nem gosto muito de bebida alcoólica, além disso eu voltei a estudar, faço também ginásio, etc., ou seja, meio complicado se vivesse aos brindes, é sempre necessário lembrar que existe também uma outra vida para além dos encontros íntimos com os clientes.

Mas aceito sim, vez ou outra, em ocasiões especiais, nem que seja apenas um pequeno gole, simbólico. E aí como eu estava dizendo, há quem traga uma garrafa, e ele, sabendo que gosto de cristal, trouxe uma garrafa mas trouxe, também, duas taças, em cristal, para comemorarmos. Era uma ocasião especial, que merecia sim um brinde.

Infelizmente uma das taças se partiu, foi um dia aqui em casa, uma amiga minha lavando a louça depois do almoço, acabou derrubando uma das taças. E eu, que nessa hora estava na sala, conseguia saber, apenas pelo barulho, que era uma das taças de cristal a partir, e não um simples copo qualquer.

Mas pronto, essas coisas partem mesmo, mas no momento eu apenas me lembrei dele, e de nós dois sentados no sofá, brindando. E que, assim como eu não podia voltar minutos atrás, evitando que a taça se quebrasse, também não podia voltar dias, semanas ou meses, e voltarmos a estar ali, naquele sofá, comemorando um momento especial.

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maio 4th, 2010 at 1:00 am

Mundo das acompanhantes: O “cliente de fase”, o “cliente esporádico” e o “cliente normal”, quem são eles? (3)

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Vou fazer uma comparação um tanto quanto estranha quanto (in)delicada… Eu parei de fumar porque, para mim, fumar um ou quarenta cigarros por dia é a mesma coisa, melhor dizendo, se for pra fumar só um, melhor fumar quarenta… mas conheço gente, como a minha amiga D., por exemplo, que fuma sem ser viciada, ou sem fazer disto um hábito frequente, ela fica dias sem fumar, isto comigo seria impossível, eu era uma viciada assumida. Então o cliente de fase é mais ou menos assim: tem hora que ele fuma, tem hora que ele deixa de fumar, e pode fazer as duas coisas, aparentemente, sem qualquer dificuldade para mudar de um estado para o outro.

Mas não pense que o cliente de fase, quando deixa de procurar acompanhantes, nunca mais volta a fazê-lo. Ele só precisa, no fundo, de uma motivação; que algo aconteça na vida dele motivando-o a procurar acompanhantes novamente.

Conheço casos, principalmente, de “clientes de fase” que assim o são - digo, que são apenas “de fase”, quando poderiam ser “clientes normais” ou mesmo “clientes esporádicos” - em função de alguma culpa. Acontece qualquer coisa na vida dele, seja algo dramático ou mesmo algo feliz, que gere alguma ansiedade ou euforia, e aí de repente começa a procurar acompanhantes, mas depois disso, e depois de saciar o que precisava ser saciado, vem logo uma culpa qualquer por causa de uma coisa ou outra, ou por causa de estar procurando acompanhantes, e com isto ele deixa de procurar por elas, e fica semanas, mesmo meses ou anos sem fazê-lo, até, pelo menos, voltar a ter - ou sentir ter - um motivo para fazê-lo novamente.

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maio 3rd, 2010 at 9:29 pm

Mundo das acompanhantes: O “cliente de fase”, o “cliente esporádico” e o “cliente normal”, quem são eles? (2)

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Tanto o cliente esporádico quanto o cliente de fase são difíceis de atender porque, maior o espaço de ausências ou de desencontros, menor será a facilidade de criar um vínculo, uma ligação, ou melhor dizendo, a pura e verdadeira intimidade. Além disso, depois de um tempo de ausência, é natural que este tipo de cliente te sugue, porque ele vem com a sede toda, querendo compensar, num único encontro, tudo aquilo que não aconteceu no tempo de ausência. É o mesmo que, por exemplo, você reencontrar um velho amigo 10 anos depois: uma coisa é aquela pessoa que convive contigo diariamente, e que vai acompanhando tudo o que acontece na sua vida, da mesma forma que você acompanha o que vai acontecendo na dela; ao velho amigo, que você não vê há 10 anos, apenas restará o resumo da história, nunca que vai dar para você pormenorizar tudo.

O cliente de fase é aquele que, em determinada altura de sua vida, é capaz de estar com uma ou com várias acompanhantes, e é capaz inclusive de fazê-lo com grande frequência durante este período, que para alguns poderá ser de encantamento, para outros poderá ser de carência, etc., não interessa, facto é que, apenas nesta fase, ele procura acompanhantes. E daí ele poderá ser capaz de ser um cliente assíduo durante dois meses, oito meses, um ano, mas depois também, quando sai desta fase, é capaz de ficar o dobro de tempo sem procurar acompanhante alguma.

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maio 2nd, 2010 at 12:02 am

Mundo das acompanhantes: O “cliente de fase”, o “cliente esporádico” e o “cliente normal”, quem são eles? (1)

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Acho que nunca falei aqui sobre o “cliente de fase” (ou “cliente circunstancial”, se assim preferirem). É o cliente que procura acompanhantes, mas apenas em algumas circunstâncias da vida.

O “cliente normal” procura uma ou várias acompanhantes em qualquer circunstância, em qualquer momento da sua vida, e o faz com bastante frequência, nunca que menos de dois encontros por mês, menos que isto ele é um “cliente esporádico”, e não um cliente normal.

O “cliente normal” é aquele com o qual a acompanhante acaba por se sentir mais à vontade, porque, de acordo com a frequência dele, mais ele vai se tornando “familiarizado” com os encontros, e, quanto mais familiarizado, menor o deslumbramento, o excesso de expectativas, as dúvidas, ou mesmo o preconceito, ainda que subconsciente.

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