junho 20th, 2009 at 7:50 pm
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Então foi assim… Ontem, como sempre, fui assistir Criminal Minds, que passa depois de um longo intervalo depois da telenovela portuguesa “Podia acabar o mundo”, que passa depois da telenovela brasileira “Caminho das Índias”, a telenovela das oito no Brasil, que lá passa às 9 - no meu tempo passava - e aqui tipo quase 11 da noite.
Era tardão quando acabei de ver Criminal Minds - mas vejo sempre, sou tarada pelo Dr. Reid, o meu tímido preferido -, mas decidi que iria ler um pouco de Henry Miller, outro homem pelo qual sou tarada, se bem que a minha relação com o Henry é bem diferente, Henry não tem nada de tímido, é o único não-tímido que me desperta esse tesão devastador, mas é só tesão intelectual, amo e odeio aquele cretino.
Já tinha começado a ler este livro “Um Diabo no Paraíso”, e ao contrário do que se pode pensar, pelo título e por ser do Henry Miller, não tem nem mesmo uma gota de sexo ali. Aliás, Henry abandona o seu ar de cretino e até parece um santo nesse livro, ou mostra o seu lado santo, todos nós temos dois lados.
Já tinha começado e queria acabá-lo. Na verdade os livros do Henry Miller eu nunca tenho pressa de acabar, gosto de ir apreciando aos poucos, acariciando aos poucos, na verdade contento-me com duas páginas antes de dormir, e com duas páginas por dia são suficientes para o meu bem-estar, para ficar ali, assimilando, bebendo cada palavra que ele diz.
Só que, como sabem, vou viajar no dia 01, sem data certa de retorno. Talvez fique um mês, talvez fique dois ou três meses fora, não sei, sinceramente ainda não sei.
E tipo, ao viajar, ficaria sem ler esse livro do Henry Miller, porque eu não queria levar nenhum livro do Henry Miller na mala e ser olhada de forma estranha no aeroporto. Eu sei, pode ser exagero meu, mas quando você é brasileira, tem o cabelo loiro e nasceu com a bunda grande, não pode dar muita oportunidade para o azar, e eu detesto ser olhada assim, já em hotéis eu entro rápida e ligeira, não quero que ninguém fique me olhando. (Sim, sou mó tímida nessas coisas, morro de vergonha).
Ler este livro do Henry Miller era, então, uma das coisas que faz parte da lista de “coisas a fazer antes de viajar”, dado que não poderia levá-lo comigo. É verdade que não tem sexo no livro, mas tem escrito “Henry Miller” e só isto já basta, fora o título “Um diabo no paraíso”, e fora a foto de um homem com a língua para fora.
Então eu li, li e li, e estava super empolgada, mas o sono bateu, era hora de dormir. Ainda aguentei mais um pouco, mas chegou uma hora que não deu mesmo, pimba, acabei dormindo.
E dormi no sofá, onde estava lendo o livro. Mas não queria dormir, queria ler o livro, acabar de ler o livro, mas o sono foi mais forte, me levou.
Sabe quando falta pouco, talvez menos que 20 páginas, mas o sono te leva antes? Foi assim.
Eu dormi mas acordei culpada, tipo umas 6 da manhã - eu tinha ido dormir bem depois das 4 -, culpada porque queria acabar de ler o livro.
Então levantei, escovei os dentes, fui à cozinha, preparei um capuccino, e venho eu com o capuccino para o sofá, pego no livro e vou lendo, até à página final.
O copo de capuccino bebi, mas deixei ali no chão, perto do sofá, e enfim, depois de ler o livro, podia dormir em paz.
Mas depois eu contei o que aconteceu, tive um pesadelo terrível tipo 10 e meia da manhã, acordei com o telefone tocando, atendi a chamada, fiz a besteira de aceitar o encontro porque estava sonâmbula, e na hora que vou me levantar do sofá para pegar a agenda e fazer a anotação - caso contrário depois o cliente me ligava e eu não me lembraria para que horas ele tinha marcado - eu acabo chutando o copo pela casa, ele se estilhaça, caco de vidro para tudo quanto é canto.
E esta foi a minha manhã, depois de uma noite com “Um diabo no Paraíso”. Ai, Henry Miller, as coisas que você me faz…
junho 9th, 2009 at 9:00 am
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Livros que ganhei recentemente: Opus Pistorum (Henry Miller) e Vénus Erótica (Anaïs Nin).
De quem, de quem, de quem? Do D.R., o meu querido D.R., obrigada meu querido!
junho 7th, 2009 at 11:37 pm
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Novo livro que acabo de ganhar: Dias tranquilos em Clichy, de quem, de quem, de quem?, Henry Miller, ganhei de um amante-amigo hoje, aquele meu amante-amigo da Nova Zelândia.
(Sim, apesar de termos nos conhecido ainda este ano - se agora não me falha a memória - recentemente ele foi “promovido” a “amante-amigo”).
Dias tranquilos em Clichy foi editado agora pela Presença, está com uma capa bem gira.
junho 5th, 2009 at 2:00 pm
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I - Actualizando aquela lista “Livros que compraria agora”
1- Convite para uma decapitação Vladimir Nabokov - ainda não comprei.
2- Ulisses James Joyce - ganhei
3- Está Tudo Iluminado - Jonathan Safran Foer - ainda não comprei.
4- A Casa das Belas Adormecidas - Yasunari Kawabata - já li, espectáculo.
5- Feliz Ano Velho Marcelo Rubens Paiva - ainda não comprei.
6- Quase Tudo - Danusa Leão - ainda não comprei.
7- Amor é prosa Sexo é poesia Arnaldo Jabor - comprei.
8- Eu hei-de amar uma pedra António Lobo Antunes - ainda não comprei.
9- A sombra dos ventos Carlos Ruiz Zafon - ganhei na D.Q.
10- Nexus - Henry Miller - comprei.
11- Plexus - Henry Miller - comprei.
12- Vénus Erótica Anais Nin - ainda não comprei. Actualização: ganhei do D.R.
13- Cartas a Anais Nin Henry Miller - ainda não comprei.
14- A Metamorfose Franz Kafka - ganhei, ex-ce-len-te.
15- A Arte da Guerra - Sun Tsu - ainda não comprei.
Livros que eu compraria agora (ou amanhã, não há assim tanta pressa) APENAS em função do tema do sexo ou da prostituição:
1- Fanny Hill - Memórias de uma prostituta - John Cleland - ainda não comprei.
2- Sexo, Ciência, Poder e Exclusão Social - Isabel Liberato - ainda não comprei
3- A prostituição através dos tempos - Nickie Roberts - ainda não comprei
4- A prostituição conjugal - Christine Dessieux - ainda não comprei
5- Os bons velhos tempos da prostituição em Portugal - Alfredo Amorim Pessoa - ganhei
6- Prostituição 2001 - O Masculino e o Feminino de Rua - Vários - ainda não comprei
7- As vendedoras de ilusões - Alexandra Oliveira - ainda não comprei
8- Droga e prostituição em Lisboa - João Alves da Costa - ganhei
9- Da Prostituição na cidade de Lisboa 1841 - Francisco Ignácio dos Santos Cruz - ainda não comprei
10- O livro de Ouro do Sexo - Diversos - ainda não comprei
P.S:
1- Esta lista é apenas um esboço.
2- Links podem não estar actualizados.
abril 25th, 2009 at 12:02 am
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Para quem me perguntou, estes são os livros do Henry Miller que já tenho:
- Trópico de Capricórnio
- Trópico de Câncer
- Sexus
- Nexus
- Plexus
- Um diabo no paraíso
- Os livros da minha vida
Pelas minhas contas, que podem perfeitamente estar erradas, faltam 12.
Assim que eu comprar e ler os outros 12, poderei me dizer minimamente especializada em Henry Miller, o homem que amo e odeio.
abril 24th, 2009 at 3:39 pm
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Por esses dias realizei um sonho. Quer dizer, dois.
Sonho número 1: Encontrei o livro “Os livros da minha vida”, do Henry Miller.
Há tempos tento encontrá-lo. Só li algumas páginas, mas está me despertando muita curiosidade. Primeiro no prefácio diz “Um dos resultados desta auto-análise (…) é a convicção profunda de que deveríamos ler cada vez menos, e não cada vez mais. (…) É difícil viver de forma sensata ou plena.”, e penso que por isto o Henry vai me trazer novos e saborosos temas para a reflexão, ainda mais levando em conta que ele leu cerca de 5000, lista esta que não foi incluída na obra para não aumentar o custo do livro.
Sonho número dois: Conheci a livraria Letra Livre.
Desde quando me mudei para Lisboa que estou doida para conhecer esta livraria, até tinha falado sobre ela lá no blog do livro. Em função principalmente da sua postura, creio que é uma livraria que deve ser prestigiada por todos.
Bom, então eu tinha conhecido o site, e estava ansiosa para conhecer a livraria também, mas nunca me sobrava tempo e, toda vez que ia ao Bairro Alto, acabava por me perder, ia para o lado errado e nunca a encontrava, inclusive porque - idiota - me esquecia de levar o endereço ou o telefone de lá.
Por esses dias então, fui lá. É um encanto a livraria. Menor do que imaginei, mas muito acolhedora.
Foi lá que comprei “Os livros da minha vida”. Sendo um alfarrabista (sebo), achei o custo do livro meio alto, mas a senhora que me atendeu disse que era em função de ser uma edição nova, de 2004. Mas como eu comprei também outros livros lá, ela me fez um descontinho.
Tive que me conter para não sair comprando mais do que aquilo que já trazia. A gente vê um livro, depois acha um outro, de repente quer mais do que aquilo que foi comprar.
Estou aqui pensando ainda em dois que deixei por lá, que devia ter comprado.
Mas pelo menos o principal: “Os livros da minha vida” já está comigo, vou devorá-lo.
…
Viu como os meus sonhos são simples?
Enquanto muita gente sonha com um Cruzeiro pelas Caraíbas, o meu sonho era só ir a uma livraria, logo ali no Bairro Alto.
Enquanto muita gente sonha com carros, jóias, etc… o meu sonho era um livrinho, um simples livrinho comprado numa loja de livros usados.
E só com isso, com a realização desses dois sonhos tão simples, eu já fiquei feliz toda vida.
janeiro 13th, 2009 at 5:26 am
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Lembra desse post «Polémica quando o assunto é Paulo Coelho»? Como disse, não sou de ir pela ideia dos outros. Tinha dito também que, apesar de ter lido alguns livros dele, não tinha lido os últimos, e estava mesmo com isso na cabeça, queria ler pelo menos o último livro do Paulo Coelho, o título pelo menos me interessou imenso, “O Vencedor está Só”.
Ganhei de presente. Sabe de quem? Desse meu amigo aqui, o que me fez ver o quanto sou imbecil de ficar reduzindo a minha “obra de arte”, risos. Ele tinha me dado a entender que ia me dar o livro de presente, mas eu não sabia que era já. Sei que esta semana vai ser difícil para mim, mas possivelmente na semana que vem começarei a leitura.
E foi nesse dia que ele estava aqui que me trouxe o livro, a gente conversando e a comer batata frita. Eu morrendo de vergonha, porque não tinha conseguido tempo de ir ao talho, o que havia no congelador já tinha tudo passado da validade, e ainda somava o facto de eu ter praticamente acabado de chegar do Algarve, quase tudo o que tinha no frigorífico teve que ir para o lixo (por isso eu já faço compras aos bocadinhos, vou ao mercado quase que diariamente, porque acho um absurdo deixar que a comida se estrague, com tanta gente a passar fome no mundo). É que eu só compro carne é para os outros, porque para mim não faço questão, e, como não tenho mais jantado com o Gatito todos os dias como era o hábito - por causa de compromissos profissionais dele -, nem me preocupei em comprar mais qualquer coisa. Não é que eu seja vegetariana, é que não gosto mesmo. Quer dizer, não é nem questão de desgostar, mas entre uma carne e um tomate, eu prefiro um tomate. Tipo, de vez em quando ainda vai, mas não me vejo por exemplo a comer carne todo dia, não curto. Engraçado que conheço muitas pessoas que se definem como carnívoras, dizem não conseguir ficar um dia só sem carne no prato. Eu nem tchum pra isso, aliás, no máximo dos máximos tenho vontade de comer carne uma vez por semana, ou por mês, sei lá, para mim não faz mesmo diferença. Aí a gente estava aqui, ele queria que saíssemos para almoçar, mas eu, caseira como eu só, fui logo para a cozinha. (Risos, ele prestativo foi junto, ficou virando as batatas, eu gosto disso, gente que não fica com frescura, se comportando como visita…) Tinha uma pessoa para atender mais tarde também, mas era mais isso mesmo, o facto de ser tão caseira.
Nesse dia também mostrei a ele uma música que gosto muito, e que é do Paulo Coelho com o Raul Seixas, «A Maçã”. Como não conhecia a música, depois ele me disse que foi lá no YouTube - adoro o clip, acho muito genial ter porta mas não ter paredes - e que tinha duas coisas para me dizer: primeiro que descobriu que o Raul Seixas já tinha morrido - claro, ele nem sabia quem era Raul Seixas, completamente natural então não saber que ele tinha morrido -, e depois que preferiu a minha versão que a com a voz do Raul. Fiquei sem entender, deve ser porque ouvi Raul a minha infância inteira e, para quem conhece Raul só agora, talvez possa estranhar.
A letra dessa música é uma coisa muito louca de linda, parece ter sido escrita depois de ler um livro do Henry Miller. (Digo, o sentido da letra, não vai lá alguém interpretar errado e sair dizendo que o Paulo Coelho copiou a letra de um livro do Henry Miller, não disse nada disso, é só o sentido, a ideia, essa coisa da liberdade sexual e a sensualidade da letra que me faz lembrar Henry Miller, só isso…)
Aliás, estou aqui pensando com os meus botões e não consigo me lembrar de outra música que expresse tão bem a ideia de liberdade sexual feminina. Essa coisa de “e outro vem quando tu chamas”, em outras letras de música estariam chamando a mulher de puta e piranha para baixo, risos, enquanto que em “A maçã” é o contrário, aceita-se a beleza da maçã que é igual às outras e, apesar do sofrimento, aceita-se a liberdade ao invés da vaidade da posse, e aceita-se a liberdade por considerar o sexo bonito, e não algo promíscuo e feio.
dezembro 13th, 2008 at 5:39 am
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Ganhei ontem de presente de um amigo o livro Trópico de Câncer. Já o tinha lido (eu sei, todas as minhas listas de leituras andam desactualizadas, até o blog do livro anda completamente desactualizado, estou tentando organizar a minha vida e o meu tempo…) mas o problema é que resolvi emprestá-lo - grande erro, emprestar livros, eu vivo jurando que nunca mais empresto um livro, e quando vejo há uma hora que acabo pecando, mas jurei de novo, não empresto mais, e dessa vez pretendo cumprir a promessa… - e a pessoa nunca mais o devolveu. Aí você me pergunta: qual a urgência de ter contigo um livro que você já leu? A questão é que… ter lido não quer dizer que não queira lê-lo de novo. Não quer dizer que não queira voltar a pegar naquele livro, talvez não para ler de uma ponta à outra, mas rever algumas partes, pelo menos aquelas páginas que anotei como importantes no meu “caderninho de leituras”. Não quer dizer que um dia, de repente, possa não me dar um desejo de desespero de voltar a reler aquelas linhas, ainda mais se tratando de Henry Miller, meu odiado e amado Henry Miller.
Fui numa loja de livros antigos - não é bem um alfarrabista, a loja vende vários objectos antigos também - aqui perto de casa. O problema é que lá é muito desorganizado, não consigo achar algo tão facilmente, e teve um dia que estava assim, queria porque queria ter o livro comigo, porque justamente naquela hora me deu vontade de relê-lo. E não encontrei.
Então esse meu amigo queria me dar um presente, e já sabe, adoro livros, e me perguntou, desde o início do mês passado, que livro eu queria ganhar, por causa do meu aniversário. Então lhe falei do Trópico de Câncer esta semana, tinha passado rapidamente numa livraria e vi que tinham feito uma nova edição dele. Foi uma surpresa… Estava na livraria e vi o Trópico de Câncer ali no meio dos livros novos, e está com uma capa muito actual, um aspecto muito actual, digo, fiquei surpreendida por ver que a Editorial Presença está agora lançando a colecção “Obras Literárias Escolhidas”. Como estava com pressa, e estava na livraria de um hipermercado, onde fui para comprar outra coisa, acabei não comprando.
Então este meu amigo esteve aqui ontem, e me trouxe esse livro maravilhoso, esse presente. Me trouxe também a paz de saber que, quando me bater o desespero, basta pegar o livro na estante e relê-lo, deliciar-me.
Mas, assim que me sobrar algum tempo - isso que é difícil, risos - voltarei a rodar alfarrabistas. Minhas novas ambições? Plexus e Nexus, o Sexus tenho, ma-ra-vi-lho-so.
outubro 27th, 2008 at 10:00 am
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Fera mesmo era aquele cara que, para escrever qualquer coisa, tinha que ficar molhando a pena na tinta a cada 4 ou 5 palavras que escrevia.
Eu já sou do tempo da máquina de dactilografia, quer dizer, sou do tempo do computador, mas como não tinha computador usava a máquina de dactilografia mesmo.
E gosto, confesso que gosto, tenho paixão por máquina de dactilografia. Claro, não é nada simples, nada mesmo. Você não tem, como no computador, a opção de apagar um erro num texto antes de imprimir; a máquina de dactilografia é impressão imediata. Se você cometeu um erro, um errinho só numa folha, não adianta, ou você usa o corrector - uma borracha ou o famoso “branquinho” - que vai deixar o seu trabalho com cara de trabalho porco ou, se você precisa mesmo causar uma boa impressão com aquilo, não adianta, vai ter que perder uma página de um lado e do outro já dactilografadas e ter que escrever tudo de novo.
É verdade que todo dactilógrafo já usou o truque de desenhar uma vírgula com um lápis, mas tem coisa que não tem jeito, você tem mesmo que jogar aquela folha no lixo e dactilografar tudo de novo.
Acho um charme usar máquina de dactilografia, mas hoje não uso não. Caramba, se perde muito tempo. Bom, pelo menos aqui, podendo usar computador, uso sim. Mas sei que, claro, se eu for para um lugar, como para a casa de uns parentes onde não tem electricidade, vou ter que usar a máquina de dactilografia mesmo. E claro, ao invés de apenas reclamar - porque eu sei que vou reclamar, a gente se habitua com outras coisas e depois já não se acostuma de novo a usar as antigas - eu também, no fim das contas, vou achar aquilo um charme.
Sabe no que fico pensando? Pessoas como Anaïs Nin ou Henry Miller costumavam escrever os seus textos e depois mandar para alguém dactilografar. Estava lendo isso num livro da Anaïs, o «Delta de Vénus» - ganhei do Delta -, ela dizia que aquela turminha toda daquela época, incluindo ela e Henry, até costumavam mandar os seus trabalhos para a mesma dactilógrafa. Aí eu fiquei pensando nisso… Se um Henry Miller já era fera naquela época, escrevia metros e sempre muito bem, e continuando hoje tão bom ou na maior parte das vezes melhor que muitos dos nossos escritores contemporâneos…. o que ele não faria, então, se hoje estivesse vivo e tendo um computador portátil?
Esse post faz parte de uma pequena série e terá continuação… Os assinantes da newsletter daqui do blog, que têm também o privilégio de de vez em quando poderem receber os posts antes que estes estejam aqui publicados, a esta altura já devem ter recebido este post e também o outro que será publicado à tarde aqui no blog…
outubro 26th, 2008 at 6:17 am
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Note… Eu não sou fã do Paulo Coelho, e já disse isso aqui. Aliás, disse isso aqui inclusive porque achava curioso porque todo “cliente” que eu tenho - estou falando sobretudo dos antigos -, quando vínhamos a falar de livros me perguntava: “Você é fã do Paulo Coelho, não é?”. A pergunta, claro, era completamente inofensiva. Só perguntavam isso porque achavam que, afinal, toda brasileira devia ser fã do Paulo Coelho. Mais do que isso… muitos dos “clientes” que recebi me contavam que tinham estado com alguma outra garota de programa e que estas eram fãs do Paulo Coelho, tinham sempre um livro dele na cabeceira, ali mesmo ao lado da cama onde se procede o coito.
Ou seja… É claro que era completamente natural me perguntarem se eu era fã do Paulo Coelho. Paulo Coelho para eles era íntimo, afinal muitas vezes fizeram sexo num quarto onde um livro do Paulo Coelho também presenciava a sua intimidade.
Mas não sou não. Mas dizer que eu não sou não quer dizer que deteste Paulo Coelho, que odeie Paulo Coelho, etc. Estou falando nisso porque, afinal, é o que vejo por aí.
Não sou fã do Paulo Coelho simplesmente porque não sou. Porque o tipo de livro que gosto mesmo de ler é outro. (Assim como por exemplo quem não gosta de ler romance mas gosta de ler ficção científica). Que o tipo de autor que gosto tem outro tipo de estilo. Mas isso não significa uma aversão ao Paulo Coelho, é apenas uma questão de gostos mesmo, e cada um gosta do que quiser gostar.
Gostos… cada um tem o seu e tem direito de ter o seu. Quanto aos meus, a questão é que gosto de autores sacanas, debochados, misóginos, meio alienados, aquele tipo de alienado com quem você conversa e vê que, afinal, o alienado é você, não ele. Aquele autor que tem aquele tipo de ideia meio louca sobre o mundo, mas que depois você acaba percebendo: caramba, e não é que esse cara tem razão?
E da mesma forma que não sou fã do Paulo Coelho, que não saio correndo para comprar todo livro que ele publica, não desrespeito quem possa ser fã, quem possa sair comprando todos os livros dele.
Principalmente aquela turma dos pseudo-intelectuais adora ficar criticando Paulo Coelho e as pessoas que lêem Paulo Coelho. Pô, deixa as pessoas lêem o que elas quiserem, caramba! Aí você diz uma coisa dessas e alguém te responde: “Mas Paulo Coelho não é literatura, ninguém vai crescer culturalmente lendo Paulo Coelho”. Tá, e se for? Você consegue estimular as pessoas a lerem aquilo que você chama de “boa literatura”?
Na verdade não importa se é bom ou ruim, se tem ou não tem qualidade. O que importa, na verdade, é que as pessoas têm direito de gostar daquilo que elas quiserem gostar. E é isso que eu vejo que muita gente não respeita. E, conforme já disse aqui no blog, ninguém pode incutir um sentimento em alguém. Eu não posso te apontar com o dedo a mulher por quem você deve se apaixonar, com quem você deve se casar, etc. E livro também é isso, uma espécie de casamento. Alguém até pode te sugerir um livro, mas ninguém pode fazer você se apaixonar por um livro.
É o mesmo que alguém me criticar pelo facto de eu ler Henry Miller, de eu adorar Henry Miller, e vir me dizer que Henry Miller é um autor pornográfico. Tudo depende, na verdade, do ponto de vista. Eu, particularmente, acho que tem mais filosofia do que sexo nos livros de Henry Miller. Acho engraçado porque Henry Miller podia ser um cara que eu certamente odiaria. Alguém que, certamente, jamais pensaria em apresentar para uma filha minha. Malandro, do tipo que vive às custas do dinheiro que pega emprestado com os outros, grosseiro com a mulher com quem vive, galinha até dizer chega. Mas é curioso que, apesar de detestar tantas coisas nele, tudo vai fazendo sentido e até se tornando um motivo de graça (no sentido de encanto, não de piada). Henry Miller é um autor que venero, por ser tão odiável e ao mesmo tempo tão encantador. Sou capaz de ler o mesmo livro do Henry Miller 2, 10, 20 vezes. Henry Miller escreve sem freio, como se nunca tivesse um editor que lhe dissesse “é preciso cortar uma parte, o livro vai ficar muito grande e caro para o público”. Estou com o Sexus na minha cabeceira, tem mais de 500 páginas, mas se você ver o tamanho da letrinha logo teria a certeza que, se estivesse num tamanho mais legível, teria pelo menos umas 1000. Henry foi muito criticado enquanto escritor, não só por ser considerado pornógrafo, mas por ser na maioria das vezes autobiográfico, o que fez inclusive que desse uma resposta assim: «Para quê procurar personagens ou situações imaginárias, se a minha vida era real e mais importante do que tudo que pudesse inventar?» Sexus, na edição francesa de 1950, só conseguiu sair com demasiados cortes, tantos cortes de forma que a pessoa mais casta nada teria para criticar, mas mesmo assim, a obra acabou sendo proibida no mesmo ano. Censura, preconceito, limitação. O que eu acho? Henry Miller é um autor muito complexo, com ideias que até hoje estão à frente do tempo, e que muita gente não terá capacidade de compreender. E, por isso mesmo, sempre será muito mais simples denominá-lo como um pornógrafo. Eu só tenho pena, a única pena mesmo que tenho é que, ao contrário de Paulo Coelho, Henry Miller passou a vida toda tendo que ficar pedindo dinheiro aqui e ali, se tornando famoso depois de morto, mas não colhendo todos os frutos das suas obras enquanto era vivo. Acho engraçado ele falar disso num livro, que ele realmente, ao contrário do que todos os seus amigos pensavam, tinha intenção de pagar o dinheiro que ele pegava sempre emprestado (quem lê Henry Miller sabe, esta é uma característica constante dele, está sempre pegando dinheiro emprestado aqui e ali, tinha uma cara de pau enorme, como se fosse quase um dom). Foi muito engraçado quando num livro ele descreveu isso, do quão perturbada seria a cara dos seus amigos quando ele fosse realmente lhes pagar tudo aquilo que já lhe tinham emprestado. Henry, meu amado e odiado Henry, como adoro o seu cinismo!
O que eu já critiquei aqui, entretanto, foram as defesas - e o mesmo direi dos ataques - movidas sem fundamento algum. Como por exemplo um homem que me disse que Paulo Coelho era o melhor escritor brasileiro e, quando lhe perguntei qual livro do Paulo Coelho ele tinha lido, me respondeu que na verdade nenhum, e até se surpreendeu quando lhe contei que estávamos falando de um autor vivo. Ou daquela pessoa que vem me dizer que Paulo Coelho é o melhor escritor do Brasil - teve uma menina que me disse que ele era o melhor escritor do mundo - e aí você um dia conhece a estante dessa pessoa e só tem o quê? Paulo Coelho. Como é que ela pode dizer que ele é o melhor escritor do Brasil ou do mundo se ela só lê Paulo Coelho? Ela podia sim, dizer que ele é o melhor escritor do seu mundo, que ele é o escritor que ela mais gosta - inclusive porque é o único autor que ela lê - mas dizer que é o melhor do Brasil ou do mundo sem ter conhecido os outros é no mínimo uma piada. Não uma piada por ser Paulo Coelho, ela poderia estar falando de Gabriel García Márquez que o sentido seria o mesmo, não dá para fazer uma comparação de algo com o mundo se você não conhece o resto que já foi produzido no mundo.
Da mesma forma, acho muito estranho quando uma pessoa me diz que não gosta da escrita do Paulo Coelho quando, afinal, essa pessoa vem me revelar que nunca leu nenhum livro do Paulo Coelho.
Como disse, não é o meu tipo de assunto ou de estilo preferido. (E claro, só estou falando daqueles que já li, não tenho como saber se o Paulo Coelho mudou de estilo ou de temas nos seus outros livros se não li os seus outros livros). Mas eu já li Paulo Coelho, eu não abriria a boca para falar de Paulo Coelho se não tivesse lido Paulo Coelho. Gostei do “O Alquimista” e do “Verónika decide morrer”, li “As Valkírias” quando era criança (não me lembro nada da história), li “Na Margem do Rio Piedra eu sentei e chorei”, li “O Diário de um Mago” - achei, e isso é apenas uma simples opinião pessoal e não um ataque ao escritor, cansativa e angustiante a leitura -, li “Manual do Guerreiro da Luz” enquanto esperava por um autocarro em Braga, li “11 minutos” (que tinha a expectativa de que fosse o meu favorito dele, mas acabou não sendo, continuando os dois primeiros como na minha opinião os melhores que já li do Paulo Coelho), etc.
Tem gente que vem criticar Paulo Coelho pelo facto de ele falar de assuntos ligados à espiritualidade, e por repetir nos seus livros os conceitos de um outro escritor que já não lembro o nome. Para começar, um autor tem direito de escrever sobre aquilo que lhe apetece. Um leitor não é obrigado a comprar, compra quem quer. Sobre ter copiado alguém anteriormente, mesmo que seja mesmo verdade… será que isso aconteceu em todos os livros que ele escreveu? Não sei, eu não li o autor em questão para comparar, eu não li todos os livros de Paulo Coelho, logo não vou cometer um erro de fazer um “julgamento” em função do que alguém me disse.
No Cartaz Cultural dessa semana falavam sobre o Paulo Coelho, sobre “O Alquimista” ter entrado para o livro dos records como o livro mais traduzido, sobre o facto de ser um dos autores mais vendidos no mundo, etc.
Sinceramente? Ao contrário de muitas pessoas, eu fiquei muito feliz com isso.
Eu acho que a arte não precisa de regras, e que cada artista precisa da liberdade, sobretudo de uma tremenda liberdade para expressar a sua arte da forma que bem entende. Se é boa ou má literatura, se é ou não é literatura? Não importa, é arte, e arte cada um vê com os seus próprios olhos, cada um sente uma coisa pela arte.
Não sou aí desse mundo de regras do certo e do errado, do bonito ou do feio. O que é certo para mim pode ser errado para o outro, o que é bonito para mim pode ser feio para o outro. Ninguém precisa de falar para o mundo, uma pessoa só precisa falar para aqueles que lhe quiserem ouvir.
É como por exemplo este blog. Ninguém precisa vir nesse blog se não quiser, ninguém é obrigado a isso, muito menos esse blog abre sozinho no computador de alguém.
Liberdade, liberdade, é sobre isso que estou falando.
Aqui nesse post eu quis falar sobretudo de gostos, da liberdade que temos de gostar do que quisermos gostar. Mas quer saber na verdade o que me incomoda, independentemente de Paulo Coelho - ou outro escritor qualquer - ser literatura boa ou ruim? O que me incomoda, na verdade, é a hipocrisia. É saber que hoje um escritor - ou qualquer pessoa que seja - pode ser muito criticado, mas que se calhar, depois de muitos anos, e principalmente quando esta pessoa estiver morta, é que afinal esta pessoa será respeitada.