Lembra desse post «Polémica quando o assunto é Paulo Coelho»? Como disse, não sou de ir pela ideia dos outros. Tinha dito também que, apesar de ter lido alguns livros dele, não tinha lido os últimos, e estava mesmo com isso na cabeça, queria ler pelo menos o último livro do Paulo Coelho, o título pelo menos me interessou imenso, “O Vencedor está Só”.
E foi nesse dia que ele estava aqui que me trouxe o livro, a gente conversando e a comer batata frita. Eu morrendo de vergonha, porque não tinha conseguido tempo de ir ao talho, o que havia no congelador já tinha tudo passado da validade, e ainda somava o facto de eu ter praticamente acabado de chegar do Algarve, quase tudo o que tinha no frigorífico teve que ir para o lixo (por isso eu já faço compras aos bocadinhos, vou ao mercado quase que diariamente, porque acho um absurdo deixar que a comida se estrague, com tanta gente a passar fome no mundo). É que eu só compro carne é para os outros, porque para mim não faço questão, e, como não tenho mais jantado com o Gatito todos os dias como era o hábito - por causa de compromissos profissionais dele -, nem me preocupei em comprar mais qualquer coisa. Não é que eu seja vegetariana, é que não gosto mesmo. Quer dizer, não é nem questão de desgostar, mas entre uma carne e um tomate, eu prefiro um tomate. Tipo, de vez em quando ainda vai, mas não me vejo por exemplo a comer carne todo dia, não curto. Engraçado que conheço muitas pessoas que se definem como carnívoras, dizem não conseguir ficar um dia só sem carne no prato. Eu nem tchum pra isso, aliás, no máximo dos máximos tenho vontade de comer carne uma vez por semana, ou por mês, sei lá, para mim não faz mesmo diferença. Aí a gente estava aqui, ele queria que saíssemos para almoçar, mas eu, caseira como eu só, fui logo para a cozinha. (Risos, ele prestativo foi junto, ficou virando as batatas, eu gosto disso, gente que não fica com frescura, se comportando como visita…) Tinha uma pessoa para atender mais tarde também, mas era mais isso mesmo, o facto de ser tão caseira.
Nesse dia também mostrei a ele uma música que gosto muito, e que é do Paulo Coelho com o Raul Seixas, «A Maçã”. Como não conhecia a música, depois ele me disse que foi lá no YouTube - adoro o clip, acho muito genial ter porta mas não ter paredes - e que tinha duas coisas para me dizer: primeiro que descobriu que o Raul Seixas já tinha morrido - claro, ele nem sabia quem era Raul Seixas, completamente natural então não saber que ele tinha morrido -, e depois que preferiu a minha versão que a com a voz do Raul. Fiquei sem entender, deve ser porque ouvi Raul a minha infância inteira e, para quem conhece Raul só agora, talvez possa estranhar.
A letra dessa música é uma coisa muito louca de linda, parece ter sido escrita depois de ler um livro do Henry Miller. (Digo, o sentido da letra, não vai lá alguém interpretar errado e sair dizendo que o Paulo Coelho copiou a letra de um livro do Henry Miller, não disse nada disso, é só o sentido, a ideia, essa coisa da liberdade sexual e a sensualidade da letra que me faz lembrar Henry Miller, só isso…)
Aliás, estou aqui pensando com os meus botões e não consigo me lembrar de outra música que expresse tão bem a ideia de liberdade sexual feminina. Essa coisa de “e outro vem quando tu chamas”, em outras letras de música estariam chamando a mulher de puta e piranha para baixo, risos, enquanto que em “A maçã” é o contrário, aceita-se a beleza da maçã que é igual às outras e, apesar do sofrimento, aceita-se a liberdade ao invés da vaidade da posse, e aceita-se a liberdade por considerar o sexo bonito, e não algo promíscuo e feio.
Paula Lee é blogueira, autora do livro Alugo o meu Corpo e acompanhante. Enquanto escort atende em Lisboa diariamente, para marcar encontro deve ligar de um telemóvel identificado para o +351 967262559.
Note… Eu não sou fã do Paulo Coelho, e já disse isso aqui. Aliás, disse isso aqui inclusive porque achava curioso porque todo “cliente” que eu tenho - estou falando sobretudo dos antigos -, quando vínhamos a falar de livros me perguntava: “Você é fã do Paulo Coelho, não é?”. A pergunta, claro, era completamente inofensiva. Só perguntavam isso porque achavam que, afinal, toda brasileira devia ser fã do Paulo Coelho. Mais do que isso… muitos dos “clientes” que recebi me contavam que tinham estado com alguma outra garota de programa e que estas eram fãs do Paulo Coelho, tinham sempre um livro dele na cabeceira, ali mesmo ao lado da cama onde se procede o coito.
Ou seja… É claro que era completamente natural me perguntarem se eu era fã do Paulo Coelho. Paulo Coelho para eles era íntimo, afinal muitas vezes fizeram sexo num quarto onde um livro do Paulo Coelho também presenciava a sua intimidade.
Mas não sou não. Mas dizer que eu não sou não quer dizer que deteste Paulo Coelho, que odeie Paulo Coelho, etc. Estou falando nisso porque, afinal, é o que vejo por aí.
Não sou fã do Paulo Coelho simplesmente porque não sou. Porque o tipo de livro que gosto mesmo de ler é outro. (Assim como por exemplo quem não gosta de ler romance mas gosta de ler ficção científica). Que o tipo de autor que gosto tem outro tipo de estilo. Mas isso não significa uma aversão ao Paulo Coelho, é apenas uma questão de gostos mesmo, e cada um gosta do que quiser gostar.
Gostos… cada um tem o seu e tem direito de ter o seu. Quanto aos meus, a questão é que gosto de autores sacanas, debochados, misóginos, meio alienados, aquele tipo de alienado com quem você conversa e vê que, afinal, o alienado é você, não ele. Aquele autor que tem aquele tipo de ideia meio louca sobre o mundo, mas que depois você acaba percebendo: caramba, e não é que esse cara tem razão?
E da mesma forma que não sou fã do Paulo Coelho, que não saio correndo para comprar todo livro que ele publica, não desrespeito quem possa ser fã, quem possa sair comprando todos os livros dele.
Principalmente aquela turma dos pseudo-intelectuais adora ficar criticando Paulo Coelho e as pessoas que lêem Paulo Coelho. Pô, deixa as pessoas lêem o que elas quiserem, caramba! Aí você diz uma coisa dessas e alguém te responde: “Mas Paulo Coelho não é literatura, ninguém vai crescer culturalmente lendo Paulo Coelho”. Tá, e se for? Você consegue estimular as pessoas a lerem aquilo que você chama de “boa literatura”?
Na verdade não importa se é bom ou ruim, se tem ou não tem qualidade. O que importa, na verdade, é que as pessoas têm direito de gostar daquilo que elas quiserem gostar. E é isso que eu vejo que muita gente não respeita. E, conforme já disse aqui no blog, ninguém pode incutir um sentimento em alguém. Eu não posso te apontar com o dedo a mulher por quem você deve se apaixonar, com quem você deve se casar, etc. E livro também é isso, uma espécie de casamento. Alguém até pode te sugerir um livro, mas ninguém pode fazer você se apaixonar por um livro.
É o mesmo que alguém me criticar pelo facto de eu ler Henry Miller, de eu adorar Henry Miller, e vir me dizer que Henry Miller é um autor pornográfico. Tudo depende, na verdade, do ponto de vista. Eu, particularmente, acho que tem mais filosofia do que sexo nos livros de Henry Miller. Acho engraçado porque Henry Miller podia ser um cara que eu certamente odiaria. Alguém que, certamente, jamais pensaria em apresentar para uma filha minha. Malandro, do tipo que vive às custas do dinheiro que pega emprestado com os outros, grosseiro com a mulher com quem vive, galinha até dizer chega. Mas é curioso que, apesar de detestar tantas coisas nele, tudo vai fazendo sentido e até se tornando um motivo de graça (no sentido de encanto, não de piada). Henry Miller é um autor que venero, por ser tão odiável e ao mesmo tempo tão encantador. Sou capaz de ler o mesmo livro do Henry Miller 2, 10, 20 vezes. Henry Miller escreve sem freio, como se nunca tivesse um editor que lhe dissesse “é preciso cortar uma parte, o livro vai ficar muito grande e caro para o público”. Estou com o Sexus na minha cabeceira, tem mais de 500 páginas, mas se você ver o tamanho da letrinha logo teria a certeza que, se estivesse num tamanho mais legível, teria pelo menos umas 1000. Henry foi muito criticado enquanto escritor, não só por ser considerado pornógrafo, mas por ser na maioria das vezes autobiográfico, o que fez inclusive que desse uma resposta assim: «Para quê procurar personagens ou situações imaginárias, se a minha vida era real e mais importante do que tudo que pudesse inventar?» Sexus, na edição francesa de 1950, só conseguiu sair com demasiados cortes, tantos cortes de forma que a pessoa mais casta nada teria para criticar, mas mesmo assim, a obra acabou sendo proibida no mesmo ano. Censura, preconceito, limitação. O que eu acho? Henry Miller é um autor muito complexo, com ideias que até hoje estão à frente do tempo, e que muita gente não terá capacidade de compreender. E, por isso mesmo, sempre será muito mais simples denominá-lo como um pornógrafo. Eu só tenho pena, a única pena mesmo que tenho é que, ao contrário de Paulo Coelho, Henry Miller passou a vida toda tendo que ficar pedindo dinheiro aqui e ali, se tornando famoso depois de morto, mas não colhendo todos os frutos das suas obras enquanto era vivo. Acho engraçado ele falar disso num livro, que ele realmente, ao contrário do que todos os seus amigos pensavam, tinha intenção de pagar o dinheiro que ele pegava sempre emprestado (quem lê Henry Miller sabe, esta é uma característica constante dele, está sempre pegando dinheiro emprestado aqui e ali, tinha uma cara de pau enorme, como se fosse quase um dom). Foi muito engraçado quando num livro ele descreveu isso, do quão perturbada seria a cara dos seus amigos quando ele fosse realmente lhes pagar tudo aquilo que já lhe tinham emprestado. Henry, meu amado e odiado Henry, como adoro o seu cinismo!
O que eu já critiquei aqui, entretanto, foram as defesas - e o mesmo direi dos ataques - movidas sem fundamento algum. Como por exemplo um homem que me disse que Paulo Coelho era o melhor escritor brasileiro e, quando lhe perguntei qual livro do Paulo Coelho ele tinha lido, me respondeu que na verdade nenhum, e até se surpreendeu quando lhe contei que estávamos falando de um autor vivo. Ou daquela pessoa que vem me dizer que Paulo Coelho é o melhor escritor do Brasil - teve uma menina que me disse que ele era o melhor escritor do mundo - e aí você um dia conhece a estante dessa pessoa e só tem o quê? Paulo Coelho. Como é que ela pode dizer que ele é o melhor escritor do Brasil ou do mundo se ela só lê Paulo Coelho? Ela podia sim, dizer que ele é o melhor escritor do seu mundo, que ele é o escritor que ela mais gosta - inclusive porque é o único autor que ela lê - mas dizer que é o melhor do Brasil ou do mundo sem ter conhecido os outros é no mínimo uma piada. Não uma piada por ser Paulo Coelho, ela poderia estar falando de Gabriel García Márquez que o sentido seria o mesmo, não dá para fazer uma comparação de algo com o mundo se você não conhece o resto que já foi produzido no mundo.
Da mesma forma, acho muito estranho quando uma pessoa me diz que não gosta da escrita do Paulo Coelho quando, afinal, essa pessoa vem me revelar que nunca leu nenhum livro do Paulo Coelho.
Como disse, não é o meu tipo de assunto ou de estilo preferido. (E claro, só estou falando daqueles que já li, não tenho como saber se o Paulo Coelho mudou de estilo ou de temas nos seus outros livros se não li os seus outros livros). Mas eu já li Paulo Coelho, eu não abriria a boca para falar de Paulo Coelho se não tivesse lido Paulo Coelho. Gostei do “O Alquimista” e do “Verónika decide morrer”, li “As Valkírias” quando era criança (não me lembro nada da história), li “Na Margem do Rio Piedra eu sentei e chorei”, li “O Diário de um Mago” - achei, e isso é apenas uma simples opinião pessoal e não um ataque ao escritor, cansativa e angustiante a leitura -, li “Manual do Guerreiro da Luz” enquanto esperava por um autocarro em Braga, li “11 minutos” (que tinha a expectativa de que fosse o meu favorito dele, mas acabou não sendo, continuando os dois primeiros como na minha opinião os melhores que já li do Paulo Coelho), etc.
Tem gente que vem criticar Paulo Coelho pelo facto de ele falar de assuntos ligados à espiritualidade, e por repetir nos seus livros os conceitos de um outro escritor que já não lembro o nome. Para começar, um autor tem direito de escrever sobre aquilo que lhe apetece. Um leitor não é obrigado a comprar, compra quem quer. Sobre ter copiado alguém anteriormente, mesmo que seja mesmo verdade… será que isso aconteceu em todos os livros que ele escreveu? Não sei, eu não li o autor em questão para comparar, eu não li todos os livros de Paulo Coelho, logo não vou cometer um erro de fazer um “julgamento” em função do que alguém me disse.
No Cartaz Cultural dessa semana falavam sobre o Paulo Coelho, sobre “O Alquimista” ter entrado para o livro dos records como o livro mais traduzido, sobre o facto de ser um dos autores mais vendidos no mundo, etc.
Sinceramente? Ao contrário de muitas pessoas, eu fiquei muito feliz com isso.
Eu acho que a arte não precisa de regras, e que cada artista precisa da liberdade, sobretudo de uma tremenda liberdade para expressar a sua arte da forma que bem entende. Se é boa ou má literatura, se é ou não é literatura? Não importa, é arte, e arte cada um vê com os seus próprios olhos, cada um sente uma coisa pela arte.
Não sou aí desse mundo de regras do certo e do errado, do bonito ou do feio. O que é certo para mim pode ser errado para o outro, o que é bonito para mim pode ser feio para o outro. Ninguém precisa de falar para o mundo, uma pessoa só precisa falar para aqueles que lhe quiserem ouvir.
É como por exemplo este blog. Ninguém precisa vir nesse blog se não quiser, ninguém é obrigado a isso, muito menos esse blog abre sozinho no computador de alguém.
Liberdade, liberdade, é sobre isso que estou falando.
Aqui nesse post eu quis falar sobretudo de gostos, da liberdade que temos de gostar do que quisermos gostar. Mas quer saber na verdade o que me incomoda, independentemente de Paulo Coelho - ou outro escritor qualquer - ser literatura boa ou ruim? O que me incomoda, na verdade, é a hipocrisia. É saber que hoje um escritor - ou qualquer pessoa que seja - pode ser muito criticado, mas que se calhar, depois de muitos anos, e principalmente quando esta pessoa estiver morta, é que afinal esta pessoa será respeitada.
Paula Lee é blogueira, autora do livro Alugo o meu Corpo e acompanhante. Enquanto escort atende em Lisboa diariamente, para marcar encontro deve ligar de um telemóvel identificado para o +351 967262559.
Possivelmente fui uma das primeiras pessoas a comprar o livro “Onze Minutos” do Paulo Coelho quando chegou em Portugal. Eu já sabia do lançamento. No dia que estive na livraria à procura, o livro ainda estava encaixotado.
Saber que um escritor brasileiro de renome internacional como Paulo Coelho iria falar sobre a prostituição me deixou um tanto intrigada, curiosa e até mesmo preocupada.
Desde que comecei a prostituir-me que escrevo um diário sobre as peculiaridades do meu trabalho. Até hoje não adquiri a proeza nem a primazia de conseguir foder e escrever ao mesmo tempo, assim como também confesso que ainda não tive a audácia de tentar. Decidi escrever um blog para também adquirir disciplina na escrita, pois assim forço-me a escrever com mais frequência. Porque escrever eu escrevo todo dia, o difícil mesmo é escrever de forma organizada dentro das limitações do meu tempo. Ao escrever minhas páginas no word, descobri que, se acabo de fazer um programa e vou logo contar sobre ele, adquiro uma maior riqueza de detalhes do que se deixasse para escrever sobre o assunto na semana seguinte.
Quando somos pessoas românticas e estamos fora desse submundo em que vivo, fazemos amor e ficamos com todas as lembranças vivas durante um bom tempo em nossa memória. Continuamos com a mesma excitação de quando ele nos deu o primeiro beijo, conseguimos sentir até a intensidade do seu toque, nos lembramos do sabor da sua boca, da temperatura da sua saliva, e por vezes, durante dias, ainda conseguimos sentir o seu cheiro impregnado no nosso corpo ou no nosso travesseiro.
Trabalhando com sexo, isso raramente acontece. Acabo de atender um cliente, atendo um próximo, mais e mais outros, e no dia seguinte quase já não consigo me lembrar de nada. Às vezes um cliente aparece e diz: “Eu já estive contigo.” Fico quieta por uns segundos até perguntar: “Ah, é? E como foi?”. “Foi muito bom” - é o que costumam me dizer, quando na verdade eu esperava que me dissessem qual era o tamanho dos seus pénis, se demoraram muito a gozar, se tinham alguma fantasia excêntrica, etc.
Por isso que me parecia inimaginável uma pessoa escrever sobre a experiência de uma garota de programa. Principalmente, sem querer ser preconceituosa, se esse alguém é um homem. Como é possível um escritor dar realidade a uma experiência vivida e sentida por outra pessoa? Como vou descrever a minha sensação ao ter que amputar uma perna se isso nunca me aconteceu?
Gostei do livro, apesar de achá-lo um tanto quanto infantil. E também não gostei do fim, porque, na maior parte dos casos, não corresponde à realidade.
- Você é fã do Paulo Coelho? - é o que deduzem vários clientes quando encontram um livro ou outro dele entre os muitos que tenho na minha “biblioteca pessoal”.
Antes que eu possa dizer que no fundo não sou, muitos clientes contam algo muito curioso: que quando foram em outras garotas de programa, também encontraram livros do Paulo Coelho, e que elas geralmente falam muito bem dele.
Um cliente meu defendeu o Paulo Coelho como “o melhor escritor brasileiro”. Falava com uma heróica convicção, como se estivesse a defender a própria mãe. «E quais livros dele você leu?» - eu perguntei. «Nenhum.» Como é possível classificar um autor sem nunca ter lido nada sobre ele? Depois que eu lhe forneci algumas informações sobre o autor, surpreendi-me com sua cara espantada e pálida a perguntar: «Então quer dizer que ele ainda é vivo? Oh, não me diga!»
Conheço também um outro grupo que classifica o Paulo Coelho como o melhor escritor dos últimos tempos: o grupo dos que só lêem Paulo Coelho. Como fazer tal apreciação sem ter lido outros para fazer comparações?
Eu admiro o Paulo Coelho. Admiro principalmente a sua capacidade de atingir um público tão grande. Já li o “O Diário de um Mago”, “Brida”, “As Valkírias”, “Na Margem do Rio Piedra eu sentei e chorei”, “Verónika decide morrer”, “Manual do Guerreiro da Luz” e… ah, claro, “O Alquimista”. Eu ainda tinha “O Alquimista” na minha estante. Eu tinha um cliente meio depressivo, meio sem rumo. Então emprestei-lhe esse livro. Aconteceu o que poderia acontecer caso eu tivesse emprestado um livro para qualquer outra pessoa: o cliente sumiu, e nunca mais me entregou o livro. ( Quem mandou eu querer dar uma de boazinha? ) Na última vez que ele veio visitar-me, pensei que era para fazer um programa, mas, quando estava sentado na minha poltrona, mostrou-me uma câmera digital. Disse que me vendia por 500€. «O quê? Em vez de você vir fazer um programa comigo, você veio gastar o meu tempo tentando me vender coisas?» Expliquei que, quando quisesse fazer isso, que me avisasse pelo telefone, pois assim eu saberia se teria disponibilidade para atendê-lo ou não. Perguntei do meu livro. Ele disse que estava em casa e que mo traria, o que eu sabia que não ia acontecer. Ele estava sem dinheiro nenhum, e possivelmente até já teria vendido o meu livro. Acho que ele estava tão mal financeiramente - eu não sou a culpada, ele só fez um programa comigo! - que seria capaz até de vender a própria mãe. Tem problema não. Joguei uma praga das boas nele, que deve estar fodido até hoje. Não gosto de usar essa expressão, mas sabendo da força que tem a utilizo: Praga de puta pega!
Apesar de ter lido tantos livros do Paulo Coelho, não sou fã dele. Porque acho que ser fã é algo muito sério, que condiz um amor muito incondicional.
Na minha concepção, ser fã de alguém requer que: - Você tenha pôsters do seu ídolo espalhados por toda a casa e uma foto dele dentro da agenda;
- Você compre todos os seus trabalhos e coleccione tudo o que sai sobre ele no imprensa escrita, televisionada ou virtual;
- Mande-lhe e-mails semanalmente e cartas longas, com “amo-te” escrito um milhão de vezes, à mão;
- Ser capaz de depor a favor dele em Tribunal, mesmo que precise de falar alguma mentirinha… ( Ô, seu Juíz, na hora do crime, e eu lembro exactamente porque olhei no relógio, ele estava comigo sim, eu juro… eu estava a lhe fazer um broche nesse exacto momento )
- Ser capaz de doar-lhe um dos seus rins.
Definitivamente, não sou fã dele. Não sou fã de ninguém. ( Hummm… Talvez apenas do Chico Buarque ).
Depois comprei novamente o “11 minutos” e ofereci de presente para uma amiga ( que afinal nunca o leu, pois esqueceu-o em casa na última vez que esteve no Brasil ) e também emprestei-o para duas pessoas. Mas hoje já não empresto livros para ninguém.
O que me intrigou inicialmente foi o título. 11 minutos é relacionado com o tempo que o cliente costuma gastar para chegar à ejaculação. Podia ser 9 minutos, 10 minutos e 38 segundos, 12 ou 15 minutos, mas preferiram o 11. E por que o 11? Óbvio, por causa da força que esse número tem.
Feche os olhos e conte até três que agora eu vou pegar a minha capa e me transformarei na menina dos exemplos.
Sabe como funciona a numerologia árabe? Uma das partes da numerologia árabe estuda o “Caminho na vida”. Funciona de forma muito simples. Basta somar os dias da data do seu nascimento até chegar a um único número, de 1 a 9. Mas caso dê 11 ou 22, não precisa de somar o 1+1 ou o 2+2, pois estes são números especiais com significados próprios. Dizem que o 11 tem um misticismo muito forte.
Se quisermos ter um comportamento mais alienado, neurótico mesmo, ainda podemos reunir várias coincidências com o número 11 ( existem coincidências? ). Na época dos atentados terroristas nos E.U.A e na Espanha, e-mails foram reencaminhados a falar sobre as “coincidências” do número 11:
- Afeganistão tem 11 letras.
- “The Pentagon” tem 11 letras.
- Ramsin Yuseb - Terrorista que atentou contra as torres gêmeas em 93) tem 11 letras.
- George W. Bush tem 11 letras.
- Nova Iorque é o estado Nº 11 dos EUA.
- O primeiro dos vôos que embateu contra as Torres Gêmeas era o Nº11.
- O voo no. 11 levava a bordo 92 passageiros, somando 9 + 2 resulta em 11.
- O vôo Nº77, que também embateu contra as Torres, levava a bordo 65 passageiros, que somando 6+5 = totaliza 11.
- A tragédia teve lugar a 11 de Setembro, ou seja, 11 do 9, que somado dá:1+1+9=11.
- A data coincide com o número de emergência norte americano o 911. Que somado dá: 9+1+1=11.
- As vítimas totais que faleceram nos aviões são 254: 2+5+4=11.
- O dia 11 de Setembro, é o dia número 254 do ano: 2+5+4=11.
- A partir do 11 de setembro sobram 111 dias até ao fim de um ano.
- O famoso Nostradamus (11 letras) profetiza a destruição de Nova Iorque na Centúria número 11 dos seus versos…
- Mas o mais chocante de tudo é que se pensarmos nas torres gêmeas, damo-nos conta que tinham a forma de um gigantesco número 11. E como se não bastasse, o atentado de Madrid aconteceu no dia 11.03.2004, que somado dá: 1+1+3+2+4=11 !
( Oh, por favor, não levem tudo a sério! )
No tarot, a carta número 11 representa a força.
Mas o melhor nesse exacto momento é eu deixar de armar-me em taróloga, astróloga, numeróloga e bobeiróloga e lembrar-me o motivo de ter escolhido falar sobre esse tema. Ora bem, lembrei…Vou procurar aqui… Só um segundo… Ah, já está!!!
Li recentemente um artigo no Correio da Manhã - o artigo é de dois meses atrás, mas li-o tem apenas 2 semanas - com o título Livro de Paulo Coelho no cinema. E trata de qual deles? Justamente.
«Trata-se de ‘Onze Minutos’ e, de acordo com a revista norte-americana ‘Variety’, os direitos de adaptação do livro foram já comprados pela ‘New Line’ e pela produtora ‘Hollywood Gang’. ‘Onze Minutos’, recorde-se, é um dos mais populares títulos de Paulo Coelho, tendo já vendido qualquer coisa como 5,5 milhões de cópias em todo o Mundo.»
Coincidentemente, e se é que existem coincidências, recentemente também li um artigo na internet que tinha o título Brasileira narra o mundo da prostituição na Europa. Contava sobre a Mariana Brasil, que lançou na Itália - depois de publicados no Brasil e na Suíça - o livro “Entre Fronteiras - O Manuscrito de Sônia”, que - aí está a coincidência - foi o livro que inspirou o Paulo Coelho a escrever o 11 minutos.
Paula Lee é blogueira, autora do livro Alugo o meu Corpo e acompanhante. Enquanto escort atende em Lisboa diariamente, para marcar encontro deve ligar de um telemóvel identificado para o +351 967262559.