Blog de intimidades de uma acompanhante… para relacionamento sério.

Amante Profissional - Diário íntimo.

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Notícia: o meu livro, «Alugo o Meu Corpo», publicado em Portugal pela Dom Quixote em 2007, chegou ao Brasil pela Editora Planeta. COMPRE AQUI.





fevereiro 16th, 2010 at 8:00 am

Hoje eu me vinguei. Não tenho sangue de barata. (6 - Final)

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« Hoje eu me vinguei. Não tenho sangue de barata. (5)

cobraSenti uma sensação horrível quando vi o número dele no meu telefone. Afinal eu estava sempre certa, mais cedo ou mais tarde, sem saber, ele iria me ligar. Mas não pensem que desejei que acontecesse. Eu agradecia que homens como ele nunca tentassem me contactar.

Não resisti, atendi o telefone. Podia ter rejeitado a chamada? Claro que podia. Mas aqueles insultos dele, no dia 05, estavam entalados na minha garganta, sabe? Eu tinha mesmo que botar para fora.

E foi assim que, sem que esperasse, ele ligou para uma acompanhante que ele já tinha xingado em outro número. E foi assim que, ao ligar para uma acompanhante, cheio de ideias de marcar um encontro com ela, ele levou uma rasteira. Porque ao contrário dele, que primeiro se fez de educado no telefonema do dia 05, achando que me ludibriava, para depois mostrar o rude, grosso, estúpido e preconceituoso que era, eu não fui nada doce ao telefone, eu já atendi o telefone sendo completamente rude com ele.

Ele não entendeu nada, como é óbvio. (Quem bate esquece, quem apanha não esquece jamais). Mas sem deixar que me interrompesse, fui falando tudo o que estava engasgado. Falei com ele que não gostei da forma que falou no outro telefonema; que podia ser uma puta, podia até ser a pior puta do mundo, mas se esta puta o tratou com educação, a obrigação dele era tratar com educação também. Chamei-o de estúpido, parvo, rude, preconceituoso e arrogante. Ele tinha estragado o meu dia naquela vez, mas dessa vez eu estava a estragar a noite dele. Porque ele não esperava, ele não esperava essa rasteira.

Ele ficou negando. E dizendo que eu era doida ou algo do género, porque nem coloquei a hipótese de ser outra pessoa a ligar pelo telefone dele. Em primeiro lugar ninguém pega o telefone do amigo para ligar para uma acompanhante, não de número identificado, e em segundo lugar, mais importante que isso, eu lembrava da voz dele, eu lembrava perfeitamente da voz dele. E, apesar de não ter admitido em momento algum que era a pessoa que tinha me xingado - quer dizer, xingado outra colega minha, mas sem saber que era eu -, ele acabou se entregando pelas coisas que disse, como por exemplo o facto de ter reforçado que era bonito, porque isso foi uma das coisas mais ridículas que ele fez naquele telefonema, ficou dizendo que era bonito, como se uma acompanhante fosse tratá-lo de forma diferente por causa disso, só porque ele é o bonitão, risos, alguém avise este homem que isso aqui não é concurso de beleza, risos.

Ah, eu falei, eu falei muito na cabeça dele, e consegui o meu intuito, que era matá-lo de raiva, risos. Onde já se viu um desrespeito desses?

Aí ele veio do nada com uma conversa meio torta quando eu disse que ele era covarde. Veio dizer de uma menina que ele conheceu, na noite, que foi violada pelo segurança, que isso que era covardia. Eu entendi o propósito do que ele me falou, e por isso devolvi: “Você que nem pense em vir ameaçar a mim ou às minhas colegas, estão todas avisadas quanto a ti. Tomara que o chulo delas quebrem as suas pernas”. Então ele disse que eu era mentirosa, porque no meu anúncio dizia que eu era acompanhante independente, e agora falava em chulo, e eu respondi pra ele que, pra evitar homens como ele, era capaz até de contratar um chulo. Facto é que eu sei, há homens que procuram por acompanhantes independentes, justamente com este intuito, de serem covardes, porque pensam que estão sozinhas; por isso que eu nunca afirmo nem nego nada, nesta situação é sempre bom deixar o homem na dúvida. Não é à toa que ele veio com o papo de ser bonitão, tem homem que acha que, só porque ele é bonito, que a gente vai se apaixonar na hora, e é este o propósito de homens arrogantes assim, querem que elas se apaixonem, assim podem se tornar chulos dela. Se são independentes, se já não têm um chulo, são o investimento ideal, é o que pensam.

Se calhar ele se lembrou de mim nesta hora, por causa do que falei a respeito da beleza. Porque no outro telefonema, quando ele ligou para o da minha amiga, ele veio com esse papo de boniteza, perguntar se queria conhecer um homem bonito como ele naquela noite, e eu respondi que a boniteza dele não me fazia a mínima diferença. Disse-o com educação; o que eu disse, exactamente, e com toda a sinceridade do mundo também, é que já conheci muitos homens que, esteticamente, podiam não ser os mais bonitos do mundo, e até exemplifiquei, já estive com homens com 80 ou 90 anos, já calvos ou com a pele flácida, e que eram tão gentis, tão amáveis, que se tornavam bonitos aos meus olhos, sinceramente bonitos aos meus olhos, não os trocava por nenhum Brad Pitt se o Brad Pitt em questão fosse só beleza. O que eu estava dizendo é que a beleza até podia ser um acréscimo, mas não era um pré-requisito para um homem se encontrar comigo, muito menos então algo que faria com que um homem fosse melhor tratado. Há outras coisas sim, como a educação dele, a humanidade, a generosidade, o carisma, a meiguice, o coração aberto, a simpatia… essas coisas fazem um homem ser melhor tratado sim, mas a beleza? Ah, me poupe, não estou caçando beleza não, se eu estivesse caçando beleza eu só atenderia aqueles que primeiro mandassem currículo com foto…

Ele ficou p da vida comigo, óbvio. Disse que eu era a vergonha da minha terra, que pessoas como eu enojavam-no. Claro que eu enojo, porque tipos como ele eu quero à distância. Sabe o que é? Ele está acostumado a ter o que quer, por valores baixíssimos, e ficou revoltado comigo, já naquele primeiro telefonema que originou tudo isto, só porque eu não me encaixava naquilo que ele queria. Engraçado que, já neste segundo telefonema, em que já atendi devolvendo o troco a ele à arrogância do primeiro, ele ainda veio tentar me seduzir, dizendo que eu estava a ser injusta, porque ele estava ligando para podermos fazer amor - sim, ele disse “fazer amor”, depois de tudo o que tinha dito para ele.

Fui grossa com ele, de propósito. E eu expliquei o motivo para ele: é que homens como ele não mereciam a minha educação. Estava sim, devolvendo o troco. Ele estragou o meu dia daquela vez, eu estava a estragar a noite dele.

Ele desviava, por vezes. De vez em quando ficava tentando me corrigir o português, implicando com a minha pronúncia, essa foi a única hora que eu falei palavrão, mandei ele enfiar o dedo no cu e aprender a falar direito, risos, aí ele ficou mais revoltado ainda, disse que eu estava baixando o nível, quer dizer, ele primeiro liga a me chamar de puta, mas depois se ofende com a palavra cu, que é bem menorzinha? Já que gosta tanto de ficar corrigindo o meu português, então corrija-me a palavra cu, era o que eu sugeria, risos, risos.

A conversa foi toda torta, porque ele, já sem justificativa, desviava. Até de Deus falou, ou do facto de ele não acreditar em Deus. É que eu tinha dito “Deus me livre de ter um homem como você” e ele me disse que não acreditava em Deus, e parecia mesmo revoltado, não sei se pelo facto de realmente não acreditar em Deus ou de a palavra Deus sair da minha boca. Eu só sei que ele disse assim, irritado “Não venha com esta conversa que eu não acredito em Deus, você pode me provar que ele existe?”, mas rapidamente eu respondi “E você, pode me provar que Ele não existe?”, e ele teve que dizer que não. E aí depois, numa frase qualquer em que acabei outra vez dizendo a palavra Deus, observei que era um direito meu acreditar Nele, da mesma forma que era um direito dele não acreditar, aí ele ficou nervoso, disse que eu estava a ser irónica e debochada, e por acaso nem estava, risos.

Sim, eu sei que nem devia ter atendido esta chamada, até porque nada de útil saiu dela. Mas dessa vez, pelo menos dessa vez, eu não podia deixar que uma pessoa achasse que ia ficar assim, que podia ligar para uma acompanhante, xingar, humilhar, e depois ligar para outra como se nada tivesse acontecido. Não, eu não ia deixar ele vestir a máscara e se fazer de bonzinho de novo, de educado, para depois mostrar seu preconceito através dos insultos gratuitos. Não, pelo menos dessa vez eu tinha sim que responder, nem que fosse para apenas tirar da garganta o que ficou sufocado, pelo menos para dizer “Não, você não tinha esse direito”.

Esse post faz parte de uma série e acaba aqui. Para ler os outros posts siga a tag não tenho sangue de barata.

Paula Lee é blogueira, autora do livro Alugo o meu Corpo e acompanhante. Enquanto escort atende em Lisboa diariamente, para marcar encontro deve ligar de um telemóvel identificado para o +351 967262559.
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fevereiro 16th, 2010 at 3:00 am

Hoje eu me vinguei. Não tenho sangue de barata. (5)

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« Hoje eu me vinguei. Não tenho sangue de barata. (4)

sempre atentosEu sabia que, mais cedo ou mais tarde, ele iria me ligar. Ele que não sabia que, quando me ligasse, iria falar com uma pessoa com a qual já tinha falado. Mas ele não saberia disso, obviamente, nem se lembraria. Porque ele não saberia que, ao ligar para o meu número, estava na verdade ligando para alguém que ele já xingou em outro número.

O que aconteceu foi que, quando ele ligou para o telefone da minha amiga, e eu atendi por ela, depois guardei o número dele, não só no telefone dela como também no meu. Isso porque eu sabia que, mais cedo ou mais tarde, ele iria achar o meu número e iria me ligar. Sem saber que já tinha falado comigo, claro.

Homens que ligam para acompanhantes, não todos, mas grande parte, não ligam apenas para uma. Ligam para outra, e outra, e mais outra. A lista toda, muitas vezes. E mais aquela, aquela outra ali que ainda não conhecem. Entrou uma outra acompanhante no sector? Eles sabem, porque estão sempre à caça.

Acontece muitas vezes de estarmos numa mesa, um grupo de amigas - acompanhantes-amigas -, e de o telefone de uma tocar, depois o de outra e o de mais outra. E ser o mesmo homem, exactamente o mesmo homem buscando por informações. O mesmo homem que prometeu já ligar para a primeira, quase jurou fidelidade. E às vezes acontece, também, de nos ligar o mesmo homem para o qual já demos informação, ou, aconteceu mesmo essa semana comigo, nos ligar o mesmo homem para o qual tinha acabado de dar informação. É que eles se esquecem. Tipo, pegam uma listinha e depois já não se lembram com quem já falaram ou não.

Sim, meus caros, há homens fantásticos, maravilhosos, queridíssimos, muito fofos e gentis com a gente, sérios, adoráveis. Mas se passassem um dia nos ouvindo ao telefone, também veriam que há também muitos homens que acabam por ser, no mínimo, ridículos.

Era o caso deste. Quer dizer, primeiro ele liga para o número da minha amiga, no fim da conversa xinga-a - quer dizer, a mim porque por acaso fui eu a atender o telefone, mas pronto, ele não sabia disso -, mostra o enorme preconceito que tem pelas mulheres deste sector, e depois disso ainda tem a lata de continuar ligando para acompanhantes?

Se ele acha que as acompanhantes são putas - foi o que tinha me dito no outro telefonema -, por que então estava a ligar para as putas? Se acha que as putas são algo assim tão sujo, por que querer estar perto delas? Porque é claro que ele tem o direito de ter a opinião dele, o que não faz sentido é justamente isto, ele querer estar perto daquilo que abomina.

Esse post faz parte de uma série e terá continuação. Para acompanhar o resto da série basta seguir a tag não tenho sangue de barata.

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fevereiro 16th, 2010 at 2:00 am

Hoje eu me vinguei. Não tenho sangue de barata (4)

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« Hoje eu me vinguei. Não tenho sangue de barata. (3)

vermelhoConheço muitas meninas que, quando acontece algo assim, ou seja, são xingadas gratuitamente por alguém que nem conhecem e que nem as conhecem, ligam de volta e xingam o cara também, afinal de contas nós temos o compromisso de preservar a privacidade daqueles que são nossos clientes, não daqueles que não o são, muito menos ainda aqueles que nos insultam, ninguém tem sangue de barata, dá licença.

Porque quando ele me chamava de puta, eu queria dizer “E se eu for? O que é que você tem com isso? Eu lá estou te perguntando o que é que eu sou?”, “Mesmo se eu for puta, eu serei puta dos meus homens, não a sua puta, então você, menos que qualquer outro, pode me chamar assim…”, ou seja, ficou muita coisa engasgada, muito sangue fervendo…

Conheço um caso em que quase deu problema. O cara ligava para a menina só pra xingar, ai que você é puta e isso e mais aquilo, você é uma vagabunda, uma leviana, você não tem moral e mais blablabla, aí chegou uma hora que a menina ficou de saco cheio e ligou pra ele de volta, mas aí quando ela ligou quem foi que atendeu? Exactamente, a respectiva do fulano. Sem mudar de expressão ela respondeu “Ah é, ele é teu marido? Então manda ele parar de ficar me ligando, que eu não tenho tempo para homens como ele”, claro, deu a maior confusão lá na vida dele, aí por isso que eu não gosto dessas coisas, porque envolve outros que não têm nada a ver com a situação em si, se bem que, na minha teoria - que não deixa de ser fundamentada em relatos que ouvi ao longo dos anos - na maior parte dos casos o comportamento que o homem tem com uma acompanhante, é o mesmo que ele tem com qualquer mulher, seja mãe, filha ou esposa. Digo isto porque, os piores homens que conheci enquanto acompanhante, principalmente os que me trataram como objecto, eram aqueles que mais denegriam as suas esposas, falando delas como se o sexo entre eles fosse uma espécie de obrigação da parte delas, enquanto que, os melhores homens que conheci enquanto acompanhante, foram os que sempre demonstraram o maior afecto e carinho pela família, e de modo algum faziam, do acto de me visitar, uma forma de contradizer este afecto, simplesmente são coisas que não se misturam, um dia talvez entendam que nem tudo é exactamente céu ou exactamente terra.

Sou muito dada às pessoas, mas às pessoas que fazem parte da minha vida, não àquelas que não fazem. Sou meiguíssima, carinhosa aos extremos… mas apenas com aqueles que merecem, com aqueles que também o são e por isso fazem por merecer, como consequência natural. Felizmente tenho perto pessoas queridíssimas, amáveis, educadas, gentis, e sempre faço de tudo para dar a elas de volta tudo aquilo que merecem, mas não esperem que numa situação como esta eu continue com o mesmo sorriso adocicado, eu vou ser para os outros exactamente um reflexo do que elas forem para mim.

Mas não, apesar de conhecer colegas que o fazem, eu não liguei para ele. Mas eu sabia que, mais cedo ou mais tarde, iríamos nos falar de novo, por iniciativa dele. (Mas sem que ele soubesse ou imaginasse…)

E aí, nesta hora, seria o momento de ser ele a ouvir. E sai de baixo, ele iria mesmo ouvir, porque não é à toa, ou não somente por causa da minha mente libidinosa, que alguns me chamam de Paula Pimentinha…

Esse post faz parte de uma série e terá continuação, já já conto tudinho que aconteceu. Para acompanhar o resto da série basta seguir a tag não tenho sangue de barata.

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fevereiro 16th, 2010 at 12:01 am

Hoje eu me vinguei. Não tenho sangue de barata. (3)

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« Hoje eu me vinguei. Não tenho sangue de barata. (2)

eurosComo eu ia dizendo, aquele telefonema, no dia 05 de Fevereiro, acabou com o meu dia. E como eu não estava esperando uma reacção assim, nem tempo tive de responder, de xingar, seja o que for… Lembro que a única coisa que eu disse foi “Como se transformou aquele homem que parecia tão educado! Bom ver isso agora, ainda bem que se manifestou agora!” E depois, claro, ele desligou, o que me deixou tremendo e espumando de raiva, porque pior que um homem rude, muito pior que um homem rude, estúpido e sem educação, é o homem ardiloso, que primeiro se faz de educado, para depois, no primeiro momento em que é contrariado - e a vantagem é esta, ferverá em pouca água e a máscara não demorará a cair - mostrar quem realmente é. (E o “realmente é” dele ser pior que o do rude, estúpido e sem educação, porque pelo menos o rude, estúpido e sem educação, você já conhece desde o primeiro instante, não faz joguinhos.)

Facto é que, para alguns homens - felizmente, não é todo dia que aparece um destes; pelo contrário, no geral conheço homens maravilhosos, que merecem todo o meu respeito - as mulheres não passam de putas, no sentido de escravas sexuais, coisas que apenas servem para as necessidades deles, e que são obrigadas a isso, até porque a ofensa vem a partir daí, a partir do momento em que elas deixam de ter “utilidade” ou se negam a ter utilidade. No meu caso, fui chamada de puta apenas porque ele não concordava com os honorários - se eu fosse “baratinha”, ele ia me chamar até de “meu amor”, mas não exactamente apenas por causa do valor, mas pelo facto de o valor ser exactamente o que ele quer, e não um valor que ele não quer, ou seja, o problema de um homem como este é o facto de ser mimado, não gostar de ser contrariado, querer tudo sempre à sua maneira -, mas já vi muita mulher, que nem era do sector, sendo xingada também, por diversas razões, mas entre elas é isso, deixarem de ter ou não quererem ter esta “utilidade” que alguns homens determinam. Tem homem que só vê mulher assim, enquanto objecto. E que acha que este objecto tem que ser dele, quando ele quiser, como ele quiser.

Tem um outro tipo de homem que reage com muita agressividade também: aquele que não concorda com o facto de uma mulher receber dinheiro de um homem, impor e/ou gostar que este homem lhe dê dinheiro. Este tipo de homem fica revoltado com isso, e por esta razão parte para a ofensa a esta mulher. Outra vez, sem necessidade.

Ele realmente não precisa concordar com isso. Mas, se ele não concorda com isso, deve então procurar uma mulher que não queira ou não goste de receber dinheiro, e não aquelas que gostam ou querem receber dinheiro. Ele acha errado a mulher ganhar dinheiro desta forma, e não o homem? Ué, então por que ele não põe um anúncio? Se é ele que está me procurando, se é ele que está me ligando, é ele que tem que cumprir com as minhas condições.

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fevereiro 15th, 2010 at 3:41 am

Hoje eu me vinguei. Não tenho sangue de barata. (2)

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« Hoje eu me vinguei. Não tenho sangue de barata. (1)

ilustração dinheiroSabe quando você quer começar o seu dia bem, e faz de tudo para começar o seu dia bem? Eu ainda estava mais alegre do que o habitual, cheia de gás, de vontade, determinação - ao contrário da tendência desse tempinho frio, que me deixa mais preguiçosa por vezes, ou com menos energia, melhor dizendo -, só faltava mesmo era sentir que o dia tinha começado, e começá-lo bem, para seguir o resto do dia no mesmo pique…

Então fui atender aquele telefonema, e atendi com alegria, com simpatia, com meiguice, e estava convencida de que aquele seria um bom dia, um óptimo dia… até que assim, do nada, ele começou a me insultar, a ser grosseiro comigo, estúpido mesmo.

Não foi exactamente do nada que começou a agressão verbal da parte dele, mas foi num momento injustificável. Foi assim: depois de muita conversa, chegou aquela hora em que ele perguntou pelos honorários. E tanto que a gente já tinha conversado, fugindo do padrão normal dos atendimentos telefónicos, que eu até cometi um erro: falei os meus honorários, e não os honorários da minha amiga, e para que entendam devo dizer que os honorários da minha amiga são bem mais altos que os meus, o atendimento e a disponibilidade dela são diferentes também.

Mas foi isso que o exaltou, o valor dos honorários, assim sendo eu vi que nem valia a pena me corrigir, dado que afinal os da minha amiga eram ainda mais altos, aí que ele morria do coração. Porque foi o que aconteceu: assim que expliquei o valor dos honorários, foi quando ele começou a me xingar, a dizer que este não era o valor normal, que estava fora do “padrão”. Pelo que ficou claro, ele estava esperando que fosse um valor no mínimo 3 ou 4 vezes mais baixo e, talvez até por susto, por não esperar este valor, reagiu de forma tão agressiva, como se o valor fosse uma ofensa.

Nunca me aconteceu isso antes, alguém me xingar por causa do valor dos honorários. Até porque não faz o mínimo sentido, o que não falta é opção mais - muitíssimo mais - barata por aí. E mais cara também, claro, mas também não faz o mínimo sentido você sair xingando outra acompanhante só por causa disso, pelo facto de os meus honorários serem mais baixos que os dela. Nem sei por qual razão escrevi este parágrafo, não faz sentido, não faz o mínimo sentido.

Vou dar um exemplo de uma situação actual na minha vida… Estou com vontade de me dar um presente. Não interessa o quê. É algo que é útil, e que eu realmente preciso - não necessariamente para viver, mas preciso -, mas é também uma vaidade, dado que eu posso viver muito bem sem isso. Não é que seja uma coisa propriamente cara, vale cada cêntimo. Teria opções mais baratas? Teria, mas não teria, nem de longe, a mesma qualidade. Aí eu prefiro algo caro, mas com qualidade, do que algo que vai estragar rapidamente, ou que não funcione do mesmo jeito. Note: eu não escolho o que é caro só porque é caro, eu escolho a qualidade, e aí depois, o facto de a qualidade ser acessível ou não para o meu bolso, já são outros quinhentos, risos. Bom, mas como dizia, eu andei gastando muito dinheiro nesses últimos meses, com coisas mais importantes que isso, e tenho também outras coisas com as quais estou comprometida. Podia comprar isso agora? Podia sim. Só que eu morro de medo do amanhã, sabe? E se amanhã eu decido ficar sem atender ninguém? E se de repente eu preciso resolver alguma coisa pessoal, ou alguma coisa na minha vida pessoal acontece, me atingindo emocionalmente, me impedindo de estar bem emocionalmente para atender os meus amantes? Ou seja, se eu amanhã - e quem sabe do amanhã? - tiver que ficar alguns meses sem ganhar nenhum, esta compra pode sim, vir a fazer alguma diferença. Por isso não compro. E esta foi a minha decisão lógica: para já vou me conter, não vou comprar. Mas entre as minhas opções, é claro que não passou pela minha cabeça xingar a empresa que vende este tal produto que quero comprar e que não está tão acessível quanto eu gostaria que tivesse, ou tão barato como os produtos semelhantes. Até porque não faz o mínimo sentido xingar a vendedora de puta só porque o valor do que quero comprar não é aquele que eu gostaria que fosse.

Já tinha ouvido sim, uma piadinha ou outra sem graça, ou aqueles que de vez em quando vêm chorar miséria, contar história triste para ver se você abaixa, risos - eu só quero saber onde é que eu vou arranjar tesão depois de ouvir história triste, risos -, mas tem muita diferença isso, uma piada sem graça ou alguém pedindo “desconto” (risos, risos) e uma pessoa que te xinga, mas te xinga mesmo, te põe abaixo de cão. Às vezes não é só o que se diz, mas o tom autoritário, como se estivesse apontando um dedo à sua cara. E não sei quanto a você, mas eu não gosto - nem admito - que alguém aponte o dedo à minha cara.

Eu sei que era apenas uma conversa telefónica, mas esta agressão verbal gratuita acabou com o meu dia. E ninguém tem este direito, de gratuitamente acabar com o dia de outro alguém.

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fevereiro 15th, 2010 at 1:27 am

Hoje eu me vinguei. Não tenho sangue de barata. (1)

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ilustração céu vermelhoHoje eu me vinguei. Uffffffffffffffffff. Estou de alma lavada.

Mas pra contar eu tenho que começar pelo princípio. Foi no dia 05 de Fevereiro e eu nunca vou me esquecer porque… bem, porque ninguém esquece quando alguém lhe trata abaixo de cão.

Foi assim: eu estava com uma amiga, ainda nem tinha atendido o meu próprio telefone, que estava no modo silencioso, tinha acabado de chegar de uma aula. Mas o telefone dela já estava funcional, ela foi fazer chichi e o telefone dela tocou, e então pediu para eu atender.

Até aí tudo bem. Fui atender o telefone dela e dar informações por ela, enquanto ela acabava o chichi. É claro que, se fosse um conhecido dela, faria diferença ser outra pessoa a atender o telefone, mas sendo apenas um desconhecido, um entre tantos desconhecidos que nos ligam todos os dias, e um entre tantos desconhecidos que nos ligam e que também ligam para outras tantas acompanhantes… não, claro que não ia fazer diferença, e tudo o que ele precisava era de informações.

Inclusive por ser um telefone que era dela, não meu, fui meiguíssima, quase fofa. Digo, ainda mais meiga que a atender as minhas próprias chamadas. Ela está de prova, até porque ela ouviu a conversa inteirinha no viva-voz.

Bom, o que aconteceu? Como eu disse estava sendo muito meiguinha ao telefone, e ele, do outro lado, estava sendo bastante educado, quase encantador. É claro que, pessoalmente, houve um certo ponto na conversa que não gostei, na verdade dois - depois explico -, mas pronto, como eu ia dizendo, eu estava atendendo o telefone dela, não o meu, se fosse o meu era logo, mas como era o telefone dela, fui mais contida e nem impliquei com o que ele falou, e aí tipo, como eu me fiz de surda, risos, a conversa correu sim, muitíssimo bem olhando deste modo.

Então veja… A conversa ia bem, não era aquela coisa de dar informações básicas de um texto decorado por ser dito centenas de vezes por dia não, era uma conversa,  era um diálogo, e corria tudo bem, pergunta e resposta, tom simpático e amigável. Aí do nada - ou melhor dizendo, gratuitamente, sem a mínima necessidade de ser assim -, no fim da nossa conversa, ele começou a me xingar de tudo quanto é nome.

E o pior, se calhar, não foi o facto de ele ter me chamado de puta, e de o ter dito com tanta agressividade. O pior foi ter acontecido do nada, quando eu não estava esperando um comportamento assim; pior foi ele ter se transformado de repente numa pessoa tão agressiva e arrogante quando, poucos segundos atrás, parecia fazer de tudo para parecer um cavalheiro.

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dezembro 19th, 2009 at 3:49 pm

Prostitutas e clientes de prostitutas: Leprosos? (Final)

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Então um cara estava me perguntando um tempo atrás:

«Imagina que vou numa casa de convívio. Vou porque quero sexo, ela está lá porque precisa de dinheiro e vai me oferecer o sexo que preciso. E ponto, não queremos ser amiguinhos, nem eu dela e nem ela de mim, eu dou o que ela quer, ela me dá o que quero, é uma troca justa e consciente de ambas as partes, há algo de desumano nisso?»

No que eu estava explicando para ele: Vocês não precisam, obrigatoriamente, se tornarem os melhores amigos apenas porque foram para a cama. O que quero dizer, apenas, é que não são e nem devem ser inimigos, ou seja, não devem se comportar como tal.

É claro que não estou falando de clientes de escorts, cuja postura não tem nada a ver com esse post ou com o anterior. Mas se insisto em falar no assunto é porque, como disse, para mim não há diferença, não há ninguém melhor que ninguém, e, o respeito, é algo que deveria ser dado a todos.

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dezembro 18th, 2009 at 8:35 pm

Prostitutas e clientes de prostitutas: Leprosos?

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Interessante o comentário que recebi do meu amigo Fernando Andersen a respeito do post sobre o dia internacional contra a violência sobre trabalhadores do sexo:

«(…)Mais uma vez tens razão, no que escreveste acerca das trabalhadoras do sexo. Pouca gente haverá que se preocupará com elas. Depois de fazerem sexo com elas, já nada lhes interessa, ou, melhor dizendo, só lhes interessa despejar os tomates e na grande maioria dos casos é a único motivo para se aproximarem delas. Não as vêem como seres humanos, e têm um total desprezo por elas. Depois são capazes de olhar ou fugir, como se fossem leprosos. É triste, muito triste.(…)»

Gostei da palavra que ele utilizou, leprosos. Porque de facto é assim: para alguns, a única coisa que interessa é o contacto sexual com a ‘prostituta’, mas depois existe aquele nojo dela, como se ela fosse um poço de doenças, como se ela não fosse digna de andar na mesma calçada, e aí é estranho, estranho e contraditório, sexo e nojo, fazer sexo com alguém por quem se sente nojo, não é estranho?

Não falarei apenas da posição de alguns clientes, porque devo dizer que também, para algumas profissionais, o leproso é o cliente. Serve o dinheiro dele, mas não serve mais nada, “Já está? Então adeus, já vai tarde.”

E se for para ficar olhando para quem é que tem a culpa, quem é que apenas está reagindo à atitude arrogante e esquiva do outro, a gente nunca chega em lado nenhum. De facto, assim penso, a culpa não é de nenhum dos dois, e ao mesmo tempo dos dois, que podiam mudar a situação. A culpa é de uma sociedade misógina, castradora e hipócrita, e as relações entre prostitutas e clientes não são assim tão diferentes - não de todo - das relações entre homens e mulheres. Há boas e más relações entre homens e mulheres, e a relação entre prostitutas e clientes também será um reflexo disso.

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dezembro 17th, 2009 at 4:03 pm

17 de Dezembro, hoje: Dia Internacional Contra a Violência sobre Trabalhadores do Sexo

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Hoje, 17 de Dezembro, é o Dia Internacional Contra a Violência sobre Trabalhadores do Sexo.

48 trabalhadoras do sexo foram mortas pelo americano Gary Leon Ridgway, e a partir de então o dia 17 de Dezembro se tornou o dia Internacional Contra a Violência sobre Trabalhadores do Sexo. Gary, que pegou prisão perpétua, matava trabalhadoras do sexo porque pensava que nunca seria apanhado.

E, realmente, nem estava completamente errado, digo, podia ser que, se não fosse o grande número de mulheres, nem tivessem dado pela ausência delas. Por quê? Porque quase ninguém se importa.

Falemos sinceramente, sejamos hipócritas mas não tanto: quem se importa, quem realmente se importa com a morte ou a violência sofrida por uma prostituta, diz lá, quem, quem, quem? Eu te respondo: quase ninguém.

E por quê? Eu te digo: porque, quando se trata de violência contra uma ‘prostituta’, a atitude quase geral é de conformismo. “Ah, são ossos do ofício, é um risco que uma mulher dessa vida corre mesmo”, é assim que dizem, como se a violência sofrida fosse uma coisa que tivesse que ser considerada normal, só porque ela é prostituta.

É como se ela quase merecesse isso, é uma prostituta e então está tudo bem, não tem problema.

Estamos falando de mulheres e homens, de seres humanos, não apenas de ‘trabalhadores do sexo’. Estamos falando de pessoas, de vidas humanas, não das suas profissões.

Todavia, o que acontece é que, quando se trata de trabalhadores do sexo, é como se o olhar se tornasse diferente, é como se a violência se tornasse mais “normal” se aplicada a este grupo. Para você está tudo bem matarem os farmacêuticos, desde que não matem os médicos, a profissão faz deles pessoas diferentes, e aí um pode morrer, o outro não… (?!)

É o que acontece com a “prostituta”, todo mundo pensa que a conhece, todo mundo a julga, e todo mundo se acha melhor que ela também. Ela não é digna, é o que todo mundo pensa, e eu tô cansada de ouvir aquela mesma pergunta, se eu não gostaria de ter uma vida mais digna, cacete, eu tenho uma vida digna, eu sou uma pessoa digna, não é o facto de ser escort - ou se fosse o que quer que fosse dentro desta indústria - que muda o que sou, e cá eu só lamento se não me faço de coitadinha como esperavam, só lamento que eu não me ache - porque realmente não sou - pior que ninguém, ou indigna, ou algo do género, pelo contrário, eu me acho uma igual, de igual valor, então guarda o lencinho porque não vai ver lagriminha caindo não, sinto muito.

Mas sim, tenho a total noção de como os trabalhadores do sexo são vistos pela sociedade, ou são os marginais ou são os coitadinhos, mas jamais seres humanos - e que como tal merecem o mesmo respeito e tratamento. Esta última fotografia reflecte o que quero dizer aqui: estou falando de direitos humanos. Porque toda vez que se fala em violência contra trabalhadores do sexo, a primeira coisa que se fala é de uma regularização da profissão, como se só a profissão importasse, como se o trabalhador do sexo só pudesse e devesse ser respeitado se tiver os seus “direitos trabalhistas”, e aí eu lembro de uma colega que uma vez quis ir à polícia dar uma queixa de uma violência sofrida, mas que depois me disse “Como poderei reclamar disso se minha actividade é ilegal?”, no que eu respondi para ela “Sua actividade não é ilegal, só não está regularizada perante a lei, e além disso, antes de atacar a sua actividade, foi você, a sua pessoa que foi atacada, que sofreu uma violência, não é o facto de não ter direitos trabalhistas que implica que com isso você tenha perdido os seus direitos humanos”, porque é isso o que acontece também, a sociedade o tempo todo empurra os trabalhadores do sexo para debaixo do tapete, como se fossem sempre o lixo da rua, que o próprio trabalhador do sexo, muitas vezes, perde a noção do seu valor enquanto gente, antes de ser um profissional, seja de qual área for.

Se você se importa

Como disse, quase ninguém se importa.

Mas, se você se importa, celebre este dia, seja você trabalhador do sexo ou não.

Como? O símbolo desta data é o guarda-chuva vermelho, como podem ver nas imagens desse post. Se tiver um blog, escreva sobre isso, ou insira a imagem, ou então substitua a sua foto por um guarda-chuva vermelho nas redes sociais.

Abaixo alguns links onde podem saber mais da história desta data, ou pegar as imagens de guarda-chuvas vermelhos.

- Artigo no Público
- http://www.scarletalliance.org.au/events
- http://www.sexworkeurope.org/icrse/index.php/en/home-mainmenu-186

Agradecimentos:

1- À Alexandra Oliveira, que lembrou da data antes de todo mundo e forneceu os links acima.
2- Ao GAT.

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outubro 31st, 2008 at 4:28 am

Menina vai pra guerra

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Estava mais cedo (ontem) lá no Alex. Falando assim parece que eu estava na casa dele, sentada no sofá dele, brincando com o Oliver enquanto ele fuma o seu cachimbo. Mas não, estava era era lá no blog dele mesmo, o que, suponho, não deve ser muito diferente (o blog da gente é também a nossa casa, e tenho uma teoria de que, assim como a nossa casa pode reflectir um pouco da nossa personalidade, o nosso blog também, ou até mais).

Está rolando uma discussão bem legal por lá. O tema? Preconceito racial.

É natural que, em temas tão fortes, muita gente tenha opinião diferente, muita gente queira reafirmar a sua própria opinião, e que muita gente queira que a sua opinião seja a mais correcta. Todavia, o importante, o mais importante de tudo nem é isso. O importante mesmo, e é isto o que o Alex faz, é gerar a reflexão. Gerar reflexão fazendo com que as pessoas discutam um assunto - discutir no sentido de cada um manifestar a sua opinião, independente de estar certa ou errada - ao invés de fugir dele, ignorá-lo, fingir que não existe. Tentar, se é que isso é possível, se colocar no lugar do outro. Reconhecer que, aquilo que não nos afecta, pode afectar ao outro, e pensar no quão diferente poderia ser a nossa vida toda se aquilo também nos afectasse (porque olhar uma coisa de fora é algo que qualquer um pode fazer).

Será que somos todos tão certinhos nos nossos conceitos? É isso o que o Alex faz, indaga, mostra outros caminhos além dos usuais (os da casa da Vovozinha e os da boca do Lobo Mau).

Foi através desse post de Alex que conheci um post que, para mim, é o melhor de 2008. Olha que 2008 ainda não acabou, olha que eu li muito blog em 2008, mas esse post é maravilhoso, não só pela clareza de ideias, não só pelo tom intimista que aprecio, mas sobretudo pela coragem dentro de um mundo no mínimo massacrante: Menina vai pra guerra do blog Histórias de Menina, genial.

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