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agosto 12th, 2010 at 12:16 pm
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Não tenho orgulho disto, apenas estou sendo sincera: às vezes não me lembro de alguns homens com os quais já fui para a cama.
Ontem, por exemplo, tinha uma marcação com um cliente e, quando fui abrir a porta, logo pensei: «Ulalá». Fisicamente ele me agradava - há homens que realmente ficam bem de barba!, note, eu não gosto de bigode, mas a barba, em certos homens, acho que fica mesmo muito bem -, era todo charmoso (o tipo de homem que, com certeza, me faria virar o pescoço na rua)… o único detalhe é que a minha reacção era como se estivesse a vê-lo pela primeira vez na minha vida, quando, na verdade, eu até já fiz sexo com ele!
agosto 7th, 2010 at 1:19 am
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Hoje eu estou cheia de amor para dar…
Prontíssima, estou saindo de casa agora. Hoje à noite quero me divertir, conhecer alguém especial e… quem sabe?
Não, não estou falando em fazer programa. Estou falando num dia normal, de pessoas normais, que se conhecem normalmente, isto não tem nada a ver com a minha actividade enquanto acompanhante.
Faz tempo que não faço isto, portanto hoje eu vou aproveitar.
Meninos que ficam reclamando que as mulheres não lhes dão bola: me achem, porque hoje estarei livre, leve e solta pela noite lisboeta.
Mas não demorem a me achar, porque, assim que eu encontrar um cara interessante, eu até prometo que, pelo menos por uma noite - esta noite -, eu serei fiel a ele.
agosto 6th, 2010 at 1:06 pm
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Sobre as duas novidades que anunciei, uma delas já está nas bancas: o tema «Viciados em Sexo» como reportagem de capa da Revista Visão. Há uma pequena colaboração minha com o meu ponto de vista enquanto acompanhante.
Fiquei com aquela cara - acontece muito frequentemente - de «Eu disse isto????», risos, mas está tudo certinho sim, a questão é que por vezes, porque histórias muito complexas, muito cheias de detalhes, muito sentidas, muito cheias de vida e de emoções, quando resumidas em poucas linhas, acabam me dando esta sensação de «não foi isto que eu falei». Mas não, a parte que aparece como se fosse eu falando não está errada, só está resumida, e por estar resumida que me dá esta sensação meio estranha, como se ali se estivesse falando de uma coisa que não fui eu que falei ou vivi. É que por vezes, porque o que sustenta as histórias são os seus detalhes, vê-las assim tão resumidas, quase compiladas dentro de uma história só, acaba dando a noção de ter algo ficado meio sem pé e sem cabeça. Por exemplo, na parte em que parece que apareço falando sobre o putanheiro que magoou uma das mulheres no bordel, e que esta foi parar ao hospital, e que com isto ele deixou de ser tão viciado em sexo, você, leitor, fica sem saber como é que este homem magoou esta mulher, ou mesmo a razão pela qual eu o considerava viciado em sexo.
Há um espaço a ser respeitado, logo jornalistas precisam resumir as histórias. Esclarecendo isto apenas porque, certas pessoas, sempre que dou entrevistas, depois acabam me contactando a pensar que, o que eu disse, era aquilo que estava ali, literalmente, palavra após palavra.
Mas no geral a reportagem está muito boa e muito cheia de fontes de informação, tem muita coisa interessante ali para ler!
Dá para ficar sabendo, por exemplo, que o sexo pago é muito mais barato do que o tratamento para largar o vício do sexo…
julho 9th, 2010 at 12:17 pm
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« Parte 1
E não só. Fora os pontos com os quais discordo, é facto que ela é uma mulher muito inteligente, e que sempre manifestou esta inteligência através dos seus posts.
Entretanto, até pouco tempo atrás, a identidade da autora do blog Belle de Jour era desconhecida. No meu caso, tenho um “nome artístico” mas estou acessível às pessoas, dado que os clientes ou aspirantes a clientes podem contactar-me e marcar encontro comigo - e inclusive constatar, de certo modo, se sou realmente o que sou ou se sou uma velhota de 90 anos fazendo se passar por uma acompanhante massagista em Lisboa. No caso dela não era assim, não havia referência a quem era ela enquanto acompanhante, o que de certo modo também é algo inteligente porque ajuda a manter o mistério ou evitar decepções.
Todas as acompanhantes que escreveram livros - ou “quase”, se contar com aquelas que não cheguei a conhecer -, excepto eu e a Brooke, acabaram por deixar a actividade enquanto acompanhantes e revelaram as suas reais identidades ao mundo. Isso era algo que eu já tinha dito desde o princípio: não o faria porque não acho que uma coisa tem a ver com a outra, eu nunca vi médico ou psicólogo deixarem suas actividades só porque escreveram um livro.
Agora entretanto, nos últimos tempos, a Brooke deu a cara, por iniciativa própria. Diz ela que já estava até se sentindo paranóica, e de repente resolveu “se entregar”.
Particularmente, acredito que a Brooke talvez tenha chegado à mesma conclusão que eu no que diz respeito à vida de acompanhante e de autora. É verdade que ela também é investigadora, mas, sobre a vida de autora e de acompanhante, acabam por ser muito incompatíveis. A vida de acompanhante exige sigilo, anonimato, confidencialidade, segredo, enquanto que a vida de autora exige muita coisa que está relacionada com a exposição, não com a fuga, ou seja, uma coisa acaba entrando em conflito com a outra.
É que vai pintando oportunidade, muita coisa legal, não para a pessoa que você é mas para a acompanhante que é você, e essas coisas acabam exigindo uma certa exposição, e, aquilo que não exige exposição, sempre te coloca numa posição confusa, delicada, insegura, porque afinal de contas você vai estar fazendo algo sempre de pé atrás, com medo de se expor mais do que aquilo que devia.
Ter revelado a sua identidade com certeza que vai ajudá-la nisso, a encontrar um equilíbrio para a sua vida enquanto autora. É uma coisa que eu não faria, os pesos da minha balança são outros, mas respeito a decisão de quem o faz.
julho 8th, 2010 at 4:49 pm
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Recentemente também recebi um link para a entrevista no Expresso:
Se não fossem as dívidas, teria continuado a fazer sexo à borla
… pensamento com o qual concordo, aliás, tenho falado nisso aqui desde sempre.
A entrevistada é ninguém mais e ninguém menos que a Brooke Magnanti, autora do famoso blog Belle de Jour.
Já falei sobre o livro dela aqui, basta ler o post Belle de Jour, escrito em dezembro de 2005, quase 5 anos atrás.
Conforme expliquei no post, fiquei desiludida com a Brooke por ela relatar que fazia oral sem preservativo, algo que ela mesma descrevia como “um risco menor para ela, e um risco maior para os clientes dela”. Fiquei desiludida porque, sendo ela uma mulher tão inteligente, era impensável que admitisse correr qualquer espécie de risco, por menor que fosse. Além disso, porque era acompanhante de luxo - e lembre que, na altura que eu li o livro dela, eu não era ainda “acompanhante”, era no máximo uma garota de programa que fazia convívio no meu próprio apartamento enquanto independente -, era impensável que neste aspecto precisasse então de se rebaixar para conseguir ter clientes.
É que eu vinha do bordel e no bordel a gente aprende muita coisa. Se eu tivesse começado como acompanhante independente, não teria esta percepção que se tem quando trabalhamos em grupo, quando trabalhamos juntas num mesmo local com outras prostitutas, garotas de programa ou acompanhantes de luxo. É que só assim, estando num mesmo local, que a gente vai percebendo como as coisas funcionam, como as coisas são, como elas são entendidas. Por exemplo, uma coisa que aprendi nesta actividade foi que o meu valor não é por aquilo que eu faço, mas por aquilo que eu não faço.
Quando um menina começa a fazer oral sem preservativo, por exemplo, dentro de um grupo, ela se torna diferente, as próprias meninas começam a tratá-la de forma diferente. Ela se torna aquela que “coitada, ela só tem clientes porque faz oral sem preservativo”. Fazer oral sem preservativo é baixar completamente o nível, não tem coisa mais característica de uma acompanhante de baixo nível do que o oral sem preservativo. Porque, se as outras trabalham pelos mesmos honorários, e não precisam de fazer o oral sem preservativo, correr riscos para ter clientes, se ela precisa é porque já não tem mais nenhum outro atractivo ou diferencial que valha a pena, e por isso tem que apelar às relações de risco.
Mas eu já sabia que muitas ditas “acompanhantes de elite” faziam oral sem preservativo, ou mesmo outras relações sexuais sem protecção. É que se fosse para atender o mecânico que tem os dedos todos sujos de graxa, até há quem sinta algum nojo de chupar o pinto dele, mas, como é o director da multinacional, tem muita menina que cai de boca porque acha que o pinto dele está limpo, inclusive de doenças.
Bem, mas fora este ponto dos comportamentos sexuais de risco, gostava muito do blog Belle de Jour, principalmente porque foi o primeiro blog de uma acompanhante que eu conheci.
Esse post faz parte de uma série e terá continuação…
julho 8th, 2010 at 12:36 am
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Esta foi engraçada, aconteceu Domingo aqui em Lisboa.
Estava eu acabando de chegar em casa do ginásio, o telefone tocou. Era um brasileiro pedindo informações e perguntando se podia atendê-lo. Dei todas as informações e, apesar de ele estar hospedado num hotel, pareceu-me que queria um encontro no meu apartamento. Até aí problema nenhum, o único problema é que ele queria um encontro para já.
Expliquei para ele que assim não dava. Que, no mínimo dos mínimos dos mínimos dos mínimos, devia me ligar com 2 ou 3 horas de antecedência para fazer uma marcação. E eu só não expliquei que eu tenho cliente que marca com semanas de antecedência porque não quis parecer que era “a gostosa do pedaço”, às vezes dizer a verdade pode parecer arrogância. E é verdade, é verdade que, das marcações que tenho, pelo menos 80 a 90% são no mínimo de um dia para o outro, isto para não falar destas que são marcadas com uma ou mais semanas de antecedência. (E não, não é arrogância, é só porque tenho gente muito educada ao meu redor, e que marca com antecedência sim).
Nem vou te dizer que, se algum amante-amigo meu me ligar agora, e pedir um encontro para dentro de uma hora, que eu vou dizer que não para ele. Dependendo do dia e da hora, é até bem possível que eu diga que sim.
Mas aí é que está, há uma grande diferença entre um amante-amigo e um desconhecido. O amante-amigo eu já sei quem é, como se comporta comigo, o que gosta e o que não gosta, mas do desconhecido eu ainda não sei nada, nem sei se vou gostar de estar com ele, por exemplo. Tem gente que me acha chata, inflexível, exigente de mais. Mas será que essas pessoas não sabem, não fazem mesmo ideia que, para estar com um conhecido, ou com um desconhecido, são coisas completamente diferentes? Será que elas não fazem ideia do que é para uma mulher, de um minuto para o outro, estar com alguém, ou na cama com alguém, sem se cultivar um mínimo de à vontade e confiança? Será que não sabem os riscos que representa para esta mulher e acompanhante, será que pensam mesmo que o sexo é algo assim tão banal e sem importância que pode ser feito de qualquer jeito e sem nenhuma preparação? Será que pensam mesmo que o sexo tem que ser assim, algo mecanizado como nas casas de convívio, em que o cliente chega, lava o pinto e mete, para, antes mesmo de dizer olá, a garota de programa já estar lhe dizendo adeus?
Esse post faz parte de uma série e terá continuação…
junho 30th, 2010 at 12:10 am
111

« Parte 5
O que estou dizendo até aqui é que é possível sim que as profissionais do sexo peguem SIDA com os seus namorados, mas que talvez seja muito simplista imaginar que é apenas assim.
Duas das últimas meninas que eu conheci, e que morreram de SIDA, nem namorado tinham, pelo menos não que ninguém soubesse. Mas é claro que assim, meio que na última hora, sempre surgia um namorado traste em quem colocavam a culpa.
Não estou dizendo que não pode ser assim, mas que em alguns casos pode ser mais simples ser assim também. Mais fácil do que morrer pela actividade, como os soldados que vão para a guerra, porque prostituta que morre com SIDA não é heroína de coisa alguma, e ninguém quer ser lembrada assim.
Pelo menos dos casos que conheço, posso dizer que menina que morre com SIDA trabalha, até ao último minuto. É claro que, para aquela que não faz nada sem preservativo, é simples ir fazer exames de sangue, porque sabe que não vai ter nada. Mas, aquela que tem consciência do seu comportamento de risco, raramente fará exame, porque tem medo da notícia ruim. Geralmente, quando acontece, foi por outra coisa qualquer, que a obriga a ir ao médico, daí ela faz o exame com o cu apertadinho, já com medo de dar alguma coisa. E porque ela foi adiando a vida toda o exame, quando descobre já não demora muito e ela morre.
E às vezes pode ser isso mesmo, pode ter sido zelosa nas relações com os clientes, mas descuidada com as relações pessoais, e então pegar SIDA do namorado.
Todavia, se já estiver muito desenvolvido o vírus, quem poderá dizer que não foi ela também a passar o vírus para ele? Digo, quem está de fora apenas ouve o que ela diz, não o que foi dito pela boca do médico, então é claro que, mesmo que ela tenha passado o vírus para o namorado, o tal namorado que ninguém conhece e que ninguém viu, a história vai terminar assim, ela como vítima, como sempre.
Não estou dizendo que não há situações em que a prostituta não seja vítima, sei que há, e há muitas, muitas situações. Mas há situações também em que ela se vitimiza, ou se habitua a poder se fazer de vítima perante as situações. Você é vítima daquilo que não podia controlar, e não daquilo que podia.
Também não estou querendo aqui colocar a profissional do sexo como grupo de risco, pelo contrário, sou a primeira a dizer que não, a querer desmistificar e retirar o preconceito atribuído à profissional do sexo.
Apenas estou esclarecendo que qualquer um pode ser infectado, ou transmitir doença para alguém, se fizer algum tipo de relação sexual desprotegida.
Mas é facto que, se uma profissional do sexo pega SIDA do seu namorado, ela é menos penalizada, ou “mais vítima”, do que se disser que foi do cliente. Porque temos uma sociedade conformista com os males, principalmente no que diz respeito aos grupos que estão à margem. Para a sociedade, se ela pegou SIDA de um cliente, era apenas um risco da actividade dela, algo que tinha mesmo que acontecer. Mas se pegou do namorado, aí já não era risco não, coitadinha, porque com o namorado não era suposto pegar SIDA. É assim que pensam, assim que classificam.
As próprias colegas, em volta, irão ficar aterrorizadas, e excluí-la de alguma forma. Ou você acha que alguma menina vai querer atender cliente daquela outra que está com SIDA? Qualquer um deles, que esteve antes com ela, pode ter sido aquele que lhe passou SIDA. Falar que foi um namorado, portanto, também ajudará a reduzir a exclusão, até porque, se ela teve um comportamento de risco com vários clientes, ou talvez com todos ou quase todos, ela não vai saber apontar este ou aquele como responsáveis.
Mas antes de tudo é necessário saber que, numa relação sexual entre duas pessoas, os responsáveis são os dois.
É preciso mais consciência, mais responsabilidade, porque em certas coisas na vida, meus amores, não é possível voltar atrás.
Esta série termina aqui.
junho 29th, 2010 at 12:29 am
106

« Parte 4
Já faz tempo que o mercado do sexo em Portugal está saturado, tanto no que diz respeito a acompanhantes quanto a meninas em casas de convívio.
Como em qualquer sector saturado, acontece o mesmo: o cliente abusa. E abusa porque ele sabe que pode abusar, sempre vai encontrar alguém que faça como ele quer e pelo preço que quer.
Já no tempo da Verli - a “prostituta” que morreu de SIDA em Viseu - já se notava esta saturação, pois já havia um grupo que cedia a práticas desprotegidas. Hoje, sabendo-se que é maioria que cede às práticas sexuais desprotegidas, esta saturação do mercado é mais do que óbvia.
Antes menina colocava anúncio e o lucro vinha rapidinho, já no início do dia. Hoje, uma menina tem que rebolar muito mais do que antes.
Tudo o que vejo, quando olho em volta, é menina dizendo “tenho que ir lá atender um cliente, não posso perder esse cliente”. Menina deixa carrinho de compras no supermercado porque o cliente ligou. Menina está falando contigo e sai correndo, te deixa falando sozinha porque cliente ligou. Menina nem engole a comida direito, porque cliente ligou.
Nem me falem que tem a ver com a crise, porque desde que estou aqui que os homens falam em crise, mesmo quando o país nem estava em crise ainda. Não se esqueçam de uma certa tendência ao exagero, e de um pouco de gosto de poder reclamar um pouquinho da vida. Não estou dizendo que não há motivos, estou dizendo é que, havendo ou não motivos, sempre haverá gente querendo reclamar de alguma coisa.
A influência da crise é pequena, porque, para o sexo, o homem sempre vai ter dinheiro. Pode não ter dinheiro para a mesma profissional do sexo, mas não pensem que ele deixou de frequentar essas coisas por causa da crise, ele só deixou foi de te visitar, risos. O que aconteceu, de verdade, é que aumentou o número de meninas que entrou nesta actividade. Sim, é claro que a entrada de mais mulheres na actividade também é um reflexo da crise, mas não na totalidade, porque, em muitas situações, houve mulheres que não entraram na actividade porque estavam morrendo de fome, mas por pura ambição, por imaginarem que era uma actividade que as iria enriquecer de repente. E daí, com a entrada de tanta gente na actividade, acontece como em qualquer sector. Se por exemplo não existisse papel em Portugal, se fosse raro encontrar papel, é claro que eu pagaria o que fosse necessário para conseguir ter papel, e seguia com todas as condições para ter papel. Havendo papel em qualquer lugar, é claro que as pessoas deixam de dar valor àquilo que passa a ser tão supérfluo, tão fácil de encontrar.
Vi, ao longo dos anos, muita menina se “adaptar” às “novas exigências do mercado”. Cliente pede para ela abaixar os honorários e ela abaixa, tendo que atender mais clientes, consequentemente correndo mais riscos. Cliente pede para ela dar uma “segunda oportunidade” e ela dá, por valores mínimos, correndo o risco de, não havendo lubrificação ou aumentando o “serviço forçado”, indesejado, o que tende também a rasgar preservativo. Cliente pede oral sem preservativo e ela faz, porque ela sabe que hoje, recusar o homem que pede pelo oral sem protecção, é ter no mínimo menos 80% de clientes que as outras.
Menina ainda não aprendeu que não deve ficar fazendo questão desse tipo de cliente que não presta, que só quer explorá-la, levá-la para o buraco. Mas, como ela olha em volta e vê quase toda menina fazendo oral sem protecção, ela pensa: tenho que fazer também, é a regra do mercado, se não fizer eu não ganho dinheiro.
E aí é claro que ela não vai confessar para mim que faz oral sem preservativo, porque aí entra aquele outro campo também, feminino, da competição. Ela vai se sentir diminuída se tiver que admitir que ela faz relações orais sem preservativo, porque não vai entender a razão de eu não precisar de fazê-lo para ter clientes.
Mas aí ela vai continuar assim, fazendo tudo o que o cliente quer, para ganhar mais dinheiro, para não ser mais rejeitada.
E com isto ela até pode ter ganhado algum dinheiro, mas…
Um dia ela fica doente e morre.
E nesse dia, quando ela morre, num mercado em que somos peças descartáveis, num mercado tão abarrotado de gente, ninguém nem vai dar pela falta dela.
Ainda não cheguei no ponto que quero chegar. Mas é por isto que este post faz parte de uma série e terá continuação…
junho 28th, 2010 at 1:33 am
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« Parte 3
Uma profissional do sexo acaba por lidar com muitos estigmas e preconceitos - por parte da sociedade, relacionamentos pessoais, clientes, e, não menos, ela consigo própria - e um deles é em relação às capacidades que ela tem para desempenhar outras funções para além de abrir as pernas. E isso não acontece apenas com o cliente não, que ela vê repetidamente indo ter com ela apenas por causa do sexo e nada mais para além disso, mas por vezes até nas suas relações pessoais, onde, mesmo havendo uma boa relação com o parceiro, por vezes pode também se sentir o peso que a actividade dela tem. Por isso que, por exemplo, posso provar para vocês que, pelo menos estatisticamente, maioria das meninas que namoram ou namoraram com cafetões, acabam por se tornar cafetinas, inclusive em função desta insegurança profissional, de serem menosprezadas em suas capacidades profissionais para além do sexo, e assim sentirem esta necessidade de provar para ele, e para o mundo, que estão errados e que ela pode sim, ser mais do que apenas um pedaço de carne.
Uma profissional do sexo não deixa de ser mulher e de ter esperanças. Só que, ao longo do tempo, ela tem que lidar com muitos preconceitos, e com muita gente que vai vê-la apenas por fora, ou apenas vai olhar para aquilo que ela representa. Ao longo do tempo, ela vai se desiludir a 500 por hora. Até aquele que ela parece conhecer, e que parece conhecê-la, mais cedo ou mais tarde ela vai descobrir que não, que foi apenas mais uma para ele, e que não teve a mínima importância que ela achou que teve. Talvez nem seja sempre, mas uma e mais outra vez ela vai ver o mesmo, a mesma situação. Ela vai ver que tem muita gente que não a conhece, e que nem se interessa em conhecê-la. Ela vai ver que, muitas vezes, simplesmente ela apenas vai servir para isto, para a satisfação alheia, quando muito, sendo peça completamente descartável.
Peça descartável, é isso. Uma profissional do sexo acaba tendo que lidar com isto mais do que qualquer outra mulher. Numa relação pessoal você até pode ser trocada por outra, mas isso pode demorar, ou não acontecer com tanta frequência. Numa relação profissional, uma mulher vê isso acontecer o tempo todo. Ela vê um homem deixar de estar com ela, preferindo estar com outra, porque a outra tem a bunda maior. Ela vê um homem deixar de estar com ela, preferindo estar com outra, porque a outra é mais jovem. Ela vê um homem deixar de estar com ela, preferindo estar com outra, porque a outra é mais baratinha. Ela vê um homem deixar de estar com ela, preferindo estar com outra, apenas por uma questão geográfica. Ela vê um homem deixar de estar com ela, preferindo estar com outra, porque a outra é mais submissa e faz tudo aquilo que ele quer. Ela vê um homem deixar de estar com ela, preferindo estar com outra, até por motivo nenhum, apenas porque de repente ele se interessou em saber como é estar também com as outras.
Não é assim tão simples lidar com a rejeição, e é por isto, e não apenas por causa da questão financeira, que algumas mulheres acabam cedendo aos caprichos egoístas de certos homens.
Ainda não cheguei no ponto que quero chegar. Mas é por isto que este post faz parte de uma série e terá continuação…
junho 28th, 2010 at 12:16 am
96

« Parte 2
Conforme eu ia dizendo, é verdade que, pelo menos do que tenho conhecimento, boa parte das colegas são menos cuidadosas no que diz respeito às relações protegidas nas suas vidas pessoais do que nas suas vidas profissionais, o que significa que sim, acaba então por ser muito mais provável que, aquelas que apanham SIDA, peguem dos seus namorados - que são aqueles com quem mais elas cedem às relações desprotegidas - e não dos clientes, mas, será mesmo assim como apontam os estudiosos?
Me permitam acrescentar mais alguns dados. Como por exemplo, que já não é fácil para uma profissional do sexo estar a desempenhar este papel, estar no papel da “profissional do sexo”. Acreditem: pior do que ser considerada “prostituta”, é ser uma prostituta doente.
E isto, meus caros, vai influenciar naquilo que você sabe e naquilo que você não sabe sobre ela. Você acha que uma prostituta vai querer ser lembrada como aquela que fez sexo com sabe-se lá quantos homens e que acabou pegando SIDA, ou como uma pessoa que, como todas as outras, pegou SIDA numa relação normal, por amor? Até uma prostituta, acredite, tem os seus princípios e os seus preconceitos.
Este post faz parte de uma série e terá continuação…